A BYD não conseguiu fechar setembro à frente da Chevrolet. Segundo os números da Fenabrave, a Chevrolet (General Motors) emplacou 27.488 veículos e manteve o 3º lugar entre as marcas, enquanto a BYD ficou em 4º, com 22.254: 5.234 unidades de diferença. Fiat e Volkswagen seguem na frente. O que parecia uma virada histórica na primeira quinzena não se sustentou até o fim do mês.
Em 27 de setembro publicamos aqui que a BYD era favorita a terminar em 3º, com base no levantamento parcial da Bright Consulting. A previsão não se confirmou, e esta matéria foi reescrita em 22/10/2026 com o resultado oficial. Na nossa apuração, a lição é simples: parcial de quinzena não é fechamento, principalmente quando as marcas tradicionais concentram vendas para locadoras e frotistas no fim do mês.
BYD vs Chevrolet: os números de agosto e setembro
| Período | BYD | Chevrolet (GM) | Quem ficou na frente |
|---|---|---|---|
| Agosto de 2026 (mês fechado) | 24.467 | 27.460 | Chevrolet, por 2.993 |
| 1ª quinzena de setembro (parcial) | 10.230 | 9.273 | BYD, por 957 |
| Setembro de 2026 (mês fechado) | 22.254 | 27.488 | Chevrolet, por 5.234 |
Fontes: Fenabrave (agosto e setembro, via Gazeta do Povo, 10/10/2026); Bright Consulting (1ª quinzena de setembro, via Autoo e Auto+ TV). A Bright usa metodologia própria e seus totais do mês (Chevrolet 27.527 e BYD 21.647) diferem em poucas centenas dos da Fenabrave. Adotamos o número da Fenabrave.
A BYD caiu cerca de 9% de agosto para setembro, saindo do recorde de 24.467 para 22.254. A Chevrolet ficou praticamente parada (+0,1%). Com isso, a distância entre as duas, que tinha encolhido para pouco menos de 3 mil carros em agosto, voltou a crescer.
O que explica a virada: o Dolphin Mini foi bem, o resto da BYD não
O dado mais curioso do mês é que a BYD perdeu a disputa por marca, mas teve o melhor resultado individual de sua história no país. O carro elétrico Dolphin Mini emplacou 9.385 unidades e foi o 3º carro mais vendido do Brasil, atrás de VW Polo (11.095) e da Fiat Strada, que lidera o ranking, e acima de modelos populares como o Chevrolet Onix, que ficou em 8º (7.133). É a primeira vez que um carro elétrico entra no top 3 mensal.
| Modelo | Marca | Posição geral | Unidades em setembro |
|---|---|---|---|
| Dolphin Mini | BYD | 3º | 9.385 |
| Onix | Chevrolet | 8º | 7.133 |
| Dolphin | BYD | fora do top 10 | 4.132 |
| Song Pro | BYD | fora do top 10 | 3.963 |
Fontes: Fenabrave e ABVE, setembro de 2026, via Gazeta do Povo e Eletricos.app. A tabela mostra apenas os modelos citados nas fontes consultadas; não reproduzimos o ranking completo.
Ou seja, a BYD depende muito de um carro só. Quando o Dolphin e o Song Pro perdem ritmo, como aconteceu em setembro (o Dolphin vendeu 4.132 unidades e o Song Pro 3.963), o Dolphin Mini sozinho não basta para ultrapassar uma marca que vende de tudo, de hatch a picape. Em nossa leitura, esse é o ponto de atenção para a BYD nos próximos meses.
Por que a BYD perdeu fôlego na segunda quinzena
A imprensa especializada registrou que a BYD começou setembro forte e perdeu ritmo na segunda quinzena, mas nenhuma das fontes que consultamos apresenta uma causa confirmada pela marca. Procuramos declaração oficial da BYD sobre o assunto e não encontramos. O que temos são fatores que já conhecíamos e que ajudam a explicar o cenário, sem que possamos atribuir a queda a um deles:
- Picapes e comerciais leves: a Chevrolet vende S10 e Montana, que contam no total de marcas. A BYD tem pouco peso nesse segmento.
- Vendas diretas no fim do mês: marcas tradicionais costumam concentrar vendas para locadoras e frotistas nos últimos dias.
- Chegada de navios: parte dos carros da BYD ainda vem da China, e o ritmo de chegada pesa no emplacamento.
Vale lembrar que o mercado como um todo foi muito bem: segundo a ABVE, os eletrificados somaram 53.126 unidades em setembro, 19,8% dos 268.721 veículos leves vendidos, alta de 149% sobre setembro de 2025. A fatia ficou abaixo do recorde de agosto (21,8%), mas segue em patamar inédito.
Por que isso importa para quem vai comprar
A BYD já tinha passado a Chevrolet no varejo, as vendas para o consumidor final, como mostramos em BYD já é líder do varejo no Brasil. O que falta para a liderança geral é justamente o canal de frotas e locadoras, tema que detalhamos em locadoras e grandes frotistas começam a cair para as chinesas. Também publicamos a análise do outro lado do segmento de entrada, o Geely EX2 contra o Dolphin Mini.
Para o consumidor, a leitura prática é que a disputa por posição no ranking tende a continuar acirrada, o que costuma se traduzir em condições de financiamento e bônus. Mas ranking de marca não é critério de compra: o que decide é o carro certo para o seu uso, e não a posição da fabricante em um mês.
Perguntas frequentes
A BYD vendeu mais que a Chevrolet em setembro de 2026?
Não. Pela Fenabrave, a Chevrolet emplacou 27.488 veículos e a BYD, 22.254, uma diferença de 5.234 unidades. A BYD só esteve à frente na primeira quinzena do mês.
Quais marcas mais venderam carros no Brasil em setembro de 2026?
Fiat e Volkswagen lideraram, seguidas por Chevrolet em 3º e BYD em 4º. Hyundai e Toyota completam o grupo seguinte, segundo os rankings divulgados no início de outubro.
Qual foi o carro elétrico mais vendido em setembro de 2026?
O BYD Dolphin Mini, com 9.385 unidades. Foi o 3º carro mais vendido do país, a primeira vez que um elétrico chega ao top 3 mensal.
Quanto os carros eletrificados representaram nas vendas de setembro?
Segundo a ABVE, 53.126 unidades, o equivalente a 19,8% dos 268.721 veículos leves vendidos no mês.
Fontes consultadas: Gazeta do Povo — Chevrolet vence disputa com a BYD, Auto+ TV — ranking de marcas de setembro, Eletricos.app — Dolphin Mini no top 3 e eletrificados (ABVE/Fenabrave), Autoo — 1ª quinzena de setembro e Fenabrave. Não encontramos declaração oficial da BYD sobre a perda de ritmo na segunda quinzena.
Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.
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