A GAC confirmou que vai montar o Aion UT no Brasil, na fábrica da HPE Automotores em Catalão (GO), com início previsto entre o fim de 2026 e o começo de 2027. A informação foi divulgada em 30 de setembro de 2026 e coloca o carro elétrico da marca na mesma trilha do BYD Dolphin Mini, que já sai de Camaçari (BA). Falta, porém, a resposta que o comprador quer: o preço vai cair? Até agora, nenhuma das duas empresas disse isso.
O que está confirmado sobre a produção em Catalão
Segundo a cobertura publicada em 30 de setembro de 2026, a operação começa em regime SKD, em que o carro chega em kits e é montado no Brasil. Cerca de 12 meses depois, a produção deve migrar para CKD, com mais componentes locais. A fábrica da HPE, que hoje produz Mitsubishi (cerca de 20 mil unidades por ano), tem capacidade total de 100 mil veículos por ano, e a GAC prevê usar até 50 mil unidades por ano quando estiver a pleno vapor.
Há também um segundo modelo previsto, que as reportagens apontam como um SUV híbrido plug-in, mas sem data confirmada. O valor do investimento e o número de empregos não foram divulgados pela HPE nem pela GAC.
| Ponto | Situação |
|---|---|
| Local | Fábrica da HPE Automotores, Catalão (GO) |
| Início da montagem (SKD) | Entre o fim de 2026 e o começo de 2027 |
| Migração para CKD | Cerca de 12 meses depois do início |
| Capacidade da GAC | Até 50 mil unidades por ano |
| Investimento e empregos | Não divulgados |
| Segundo modelo | Previsto (provável híbrido plug-in), sem data |
| Preço do Aion UT nacional | Sem anúncio |
Fontes: Mixvale e Mundo do Automóvel para PCD (ambos de 30 de setembro de 2026). O que consta como previsão não foi confirmado oficialmente.
Dolphin Mini: a régua de quem já produz no Brasil
O Dolphin Mini é o exemplo mais próximo do que a GAC quer repetir. Fabricado em Camaçari, ele é vendido por R$ 119.990. Na nossa análise de preços, publicada em setembro, calculamos que o Dolphin Mini chega ao consumidor com um fator de 1,84 vez o preço convertido do carro chinês, enquanto o Aion UT importado carrega um fator de 2,64 vezes. Em reais, o Aion UT Premium custa R$ 139.990 e o Elite, R$ 159.990.
| Item | GAC Aion UT | BYD Dolphin Mini |
|---|---|---|
| Origem hoje | Importado da China | Fabricado em Camaçari (BA) |
| Preço de entrada | R$ 139.990 (Premium) | R$ 119.990 |
| Fator sobre o preço da China (cálculo do portal) | 2,64× | 1,84× |
| Emplacamentos em agosto | 978 | 8.299 |
| Produção nacional | Prevista (fim de 2026 ou início de 2027) | Em curso |
Fontes: tabelas das fabricantes; CNN Brasil (emplacamentos de agosto de 2026); cálculo do fator publicado em nossa análise de preços do Aion UT.

O preço vai cair? O que dá para afirmar e o que não dá
Afirmar que o preço vai cair seria ir além do que foi divulgado. A GAC e a HPE não anunciaram valores para o carro nacional. Em geral, montar localmente reduz custos de importação e de logística, e foi o que ajudou o Dolphin Mini a chegar mais barato ao consumidor. Mas o início será em kits (SKD), que ainda dependem de componentes importados, e só a etapa seguinte (CKD), prevista cerca de um ano depois, tende a aumentar o conteúdo local. Ou seja, o efeito pleno no preço, se vier, não deve aparecer logo na primeira unidade montada em Goiás.
Há ainda o contexto de vendas. Segundo a cobertura de 30 de setembro, o Aion UT soma 2.725 emplacamentos desde junho. Em agosto, foram 978 unidades, contra 8.299 do Dolphin Mini. Uma fábrica para até 50 mil carros por ano é uma aposta bem maior que o volume atual da GAC, e depende de a marca ganhar escala. Mostramos em setembro que as vendas do Aion UT perderam fôlego em agosto frente à concorrência.
A escala da fábrica contra o ritmo de vendas
Colocar os números lado a lado ajuda a dimensionar a aposta. Com 978 emplacamentos em agosto, o Aion UT vende cerca de 11,8% do que o Dolphin Mini vendeu no mesmo mês (8.299), e, mantido esse ritmo por 12 meses, chegaria a algo como 11,7 mil unidades por ano (conta nossa, simplificada). A GAC fala em usar até 50 mil por ano na fábrica de Catalão, ou seja, mais de quatro vezes o ritmo atual. Para fechar essa distância, a marca precisaria de preço mais baixo, rede maior ou novos modelos, e é aí que o segundo produto previsto, ainda sem data, ganha importância. Sem isso, a fábrica teria capacidade ociosa, o que costuma pressionar o custo por carro e, no limite, a continuidade do investimento.
Por que o fator 2,64 contra 1,84 importa
O fator citado na tabela mede quantas vezes o preço final no Brasil supera o preço convertido do carro na China. O Aion UT carrega 2,64 vezes, e o Dolphin Mini, 1,84, uma diferença de cerca de 43% (2,64 dividido por 1,84). Esse intervalo mostra o peso somado de imposto de importação, frete, logística e margem de rede. Se a montagem local de fato reduzir parte desse custo, o Aion UT nacional poderia se aproximar do fator do Dolphin Mini, mas isso é uma hipótese nossa, não um anúncio. O preço de entrada do Dolphin Mini também varia por versão e por oferta: a tabela usa R$ 119.990, enquanto outras matérias nossas citam R$ 109.990 para a versão GL em promoção de outubro. Vale conferir a versão e a data ao comparar.
SKD e CKD: o que muda entre uma etapa e outra
A diferença entre SKD e CKD explica por que o efeito no preço pode demorar. No SKD, o carro chega semidesmontado, com a maior parte das peças prontas, e a montadora faz a montagem final no Brasil. No CKD, o carro chega em kits mais desmontados, e o grau de componentes locais é maior, o que dá espaço para mais economia, mas também exige fornecedores e linha de produção mais complexos. Além disso, a alíquota de importação dos kits sobe para 35% em janeiro de 2027, conforme a regra em vigor, o que reduz a vantagem tributária da montagem local se não houver nacionalização crescente. Em nossa avaliação, a etapa realmente decisiva é a migração para componentes fabricados no país, e não o início da montagem em si.
O que muda para quem pensa em comprar agora
Quem está de olho no Aion UT tem três caminhos: comprar o importado agora, esperar o nacional ou escolher um rival já produzido no país. Esperar tem custo, porque não há data nem preço, e o comprador que precisa de carro neste ano não tem como contar com essa produção. Na versão atual, vale conferir o guia completo do GAC Aion no Brasil e a diferença de autonomia entre as versões. O EscolheCar, ferramenta do portal que reúne mais de 60 modelos, ajuda a comparar preço e autonomia dos compactos por um investimento baixo. Outro ponto é a bateria maior vista na China: a versão de 530 km do Aion UT segue sem confirmação para o Brasil.
Perguntas frequentes
Onde a GAC vai produzir o Aion UT no Brasil?
Na fábrica da HPE Automotores, em Catalão (GO). O início está previsto entre o fim de 2026 e o começo de 2027, em regime SKD, com migração para CKD cerca de 12 meses depois.
O Aion UT nacional será mais barato?
Não há anúncio de preço. A produção local costuma reduzir custos de importação e logística, mas a GAC e a HPE não confirmaram redução para o Aion UT.
Qual a capacidade da fábrica da GAC em Goiás?
A planta tem capacidade total de 100 mil veículos por ano, e a GAC prevê usar até 50 mil unidades por ano. Hoje a fábrica produz cerca de 20 mil Mitsubishi por ano.
Haverá outro modelo da GAC produzido no Brasil?
Há previsão de um segundo modelo, apontado pela imprensa como um SUV híbrido plug-in, mas sem data nem confirmação oficial.
Quantos Aion UT já foram emplacados?
Segundo a cobertura de 30 de setembro de 2026, 2.725 unidades desde junho. Em agosto, foram 978 emplacamentos, segundo a CNN Brasil.
Fontes: Mixvale (30/09/2026), Mundo do Automóvel para PCD (30/09/2026), CNN Brasil, Canal VE e tabelas das fabricantes. Planos de produção sujeitos a alteração.
Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.
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