Ferrari elétrica: Luce foi chamada de “torradeira”, derrubou as ações e mesmo assim esgotou com fila até 2027

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A Ferrari Luce, primeiro carro elétrico da história da Ferrari, foi recebida com uma avalanche de críticas, mas vendeu toda a produção prevista para 2026 em menos de dois meses e já tem fila de pedidos até o fim de 2027. O sedã de quatro portas e cinco lugares, apresentado em Roma em 25 de maio de 2026, custa a partir de 550 mil euros (cerca de R$ 3,2 milhões na cotação da época), entrega 1.050 cv e tem lançamento confirmado no Brasil para 2027. A seguir, mostramos o que foi criticado, por que o carro vendeu mesmo assim e o que a história diz sobre o futuro do esportivo elétrico.

Por que a Ferrari elétrica foi tão criticada

Poucos lançamentos recentes dividiram tanto a opinião pública. O desenho, assinado em parceria com o coletivo criativo LoveFrom, de Sir Jony Ive (ex-chefe de design da Apple) e Marc Newson, foi comparado nas redes a um Honda Accord e até a uma “torradeira de luxo”, segundo levantamento do site Electrek repercutido pela imprensa europeia. Uma fabricante de chocolate aproveitou para fazer piada com os ângulos do carro.

As críticas não vieram só de internautas. Luca Cordero di Montezemolo, ex-presidente da Ferrari, sugeriu que tirassem o Cavallino Rampante do carro. O vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, chamou o preço de escandaloso. E o mercado financeiro reagiu: segundo a Bloomberg, as ações da Ferrari chegaram a cair quase 8% depois da apresentação em Roma, com analistas dizendo não entender a nova estratégia da marca.

Na nossa leitura, o incômodo tem três camadas. A primeira é a carroceria: a Luce rompe com a tradição ao ser um liftback de cinco portas e cinco lugares, algo inédito em Maranello. A segunda é o silêncio: para muitos fãs, uma Ferrari sem o ronco de um V8 ou V12 deixa de ser Ferrari. A terceira é o preço, que coloca o carro no patamar de um Rolls-Royce elétrico, não de um esportivo.

O que a Ferrari Luce entrega

Por trás da polêmica, há engenharia pesada. A Luce usa quatro motores elétricos, um por roda, arquitetura de 800 volts e bateria de 122 kWh montada pela própria Ferrari. Segundo a fabricante, são 1.050 cv (772 kW) no modo Launch Control, 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, velocidade máxima acima de 310 km/h e autonomia superior a 530 km no ciclo europeu WLTP. A recarga rápida aceita até 350 kW.

Ficha técnica da Ferrari Luce

Item Ferrari Luce
Motorização 4 motores elétricos (um por roda), tração integral
Potência máxima 1.050 cv (772 kW) em Launch Control
Bateria 122 kWh, arquitetura de 800 V
Autonomia Acima de 530 km (WLTP)
Recarga rápida Até 350 kW
0 a 100 km/h 2,5 segundos
Velocidade máxima Acima de 310 km/h
Carroceria 4 portas, 5 lugares (inédito na Ferrari)
Preço A partir de 550 mil euros (cerca de R$ 3,2 milhões)
Brasil Lançamento confirmado para 2027

Fontes: Ferrari (via Automotive World e Itatiaia); preço em euros da apresentação oficial; conversão em reais de maio de 2026 (BP Money). Confirmação para o Brasil: Autoesporte.

Se todo mundo criticou, quem comprou?

Essa é a pergunta que a própria história da Ferrari ajuda a responder. Segundo o CEO Benedetto Vigna, as encomendas vieram tanto de clientes antigos da marca quanto de compradores novos, e a empresa diz não ter precisado dar descontos nem incentivos. Para o colecionador, a Luce tem um atrativo que nenhum outro carro terá: é o primeiro Ferrari elétrico da história. Vigna chegou a descrevê-la como quase um item de colecionador.

Esgotou: produção de 2026 vendida e fila até o fim de 2027

Poucos dias depois da apresentação, Vigna anunciou que a carteira de pedidos da Luce já se estendia até o fim de 2027. Segundo o colunista Jorge Moraes, da CNN Brasil, a meta de produção para 2026, de pouco menos de 500 unidades, foi totalmente comercializada em menos de dois meses após o lançamento.

A China virou o mercado mais aquecido para o modelo. De acordo com o Canaltech, concessionárias chinesas passaram a cobrar depósitos não reembolsáveis de até 500 mil yuans para garantir uma reserva, enquanto o preço de partida no país gira em torno de 3,988 milhões de yuans (cerca de 580 mil dólares). As primeiras entregas estão previstas para o fim de 2026.

Aqui entra uma estratégia antiga da marca: produzir sempre menos do que o mercado quer comprar. Como lembrou a Bloomberg, a Ferrari, assim como Hermès e Rolex, usa listas de espera e oferta controlada para proteger a exclusividade e os preços. Com menos de 500 carros no primeiro ano, esgotar não é um golpe de sorte, é o modelo de negócio funcionando.

A história se repete: a Ferrari já foi “errada” antes

Não é a primeira vez que Maranello é acusada de trair a própria essência. O Purosangue, primeiro modelo de quatro portas e com cara de SUV da marca, também foi tratado como heresia e acabou com fila de espera longa. Fora da Ferrari, o exemplo mais citado é o da Porsche: o fundador dizia que a marca nunca teria um carro de quatro portas, e hoje os SUVs respondem pela maior parte da produção da fabricante alemã.

Nossa visão é que a Luce não é um teste de gosto, e sim de estratégia. A Ferrari não abandonou a combustão: o elétrico entra ao lado dos modelos a gasolina e híbridos, dentro do que a empresa chama de neutralidade tecnológica. O que a Luce prova, por enquanto, é que existe cliente disposto a pagar caro por um carro elétrico de luxo com o Cavallino no capô, mesmo sem o som do motor. Se ela vai envelhecer bem, como aconteceu com outros modelos polêmicos, só as ruas e o mercado de usados vão dizer.

E no Brasil?

A Ferrari confirmou a Luce para o mercado brasileiro em 2027, segundo a revista Autoesporte. O preço aqui ainda não foi divulgado, mas, com o imposto de importação de veículos elétricos e os custos de homologação, nossa expectativa é que fique bem acima da conversão direta dos 550 mil euros. O carro chega a um segmento que já cresce no país: o de carro elétrico de luxo, em que marcas como a Denza, da BYD, também apostam, como mostramos em Denza Z9S vs Z9 GT. Para ver o que mais chegou ao mercado neste ano, confira nosso balanço de lançamentos de 2026.

E você: a Ferrari acertou ou errou com a Luce? Esportivo de verdade precisa de ronco de motor? Conte nos comentários.

Perguntas frequentes

Qual é o primeiro carro elétrico da Ferrari?

É a Ferrari Luce, apresentada em Roma em 25 de maio de 2026. É um sedã liftback de quatro portas e cinco lugares, com quatro motores elétricos e 1.050 cv.

Quanto custa a Ferrari Luce?

O preço de partida na Europa é de 550 mil euros, cerca de R$ 3,2 milhões na cotação de maio de 2026. Na China, o valor inicial gira em torno de 3,988 milhões de yuans. O preço no Brasil ainda não foi divulgado.

Qual a autonomia da Ferrari elétrica?

Segundo a Ferrari, a autonomia passa de 530 km no ciclo europeu WLTP, com bateria de 122 kWh e recarga rápida de até 350 kW.

A Ferrari Luce vai ser vendida no Brasil?

Sim. A Ferrari confirmou o lançamento do modelo no Brasil para 2027, segundo a revista Autoesporte. Preço e data exata ainda não foram anunciados.

Por que a Ferrari Luce foi criticada?

Principalmente pelo design, comparado nas redes a sedãs comuns, pela carroceria de quatro portas e cinco lugares, inédita na marca, pela ausência do som do motor e pelo preço. Ex-dirigentes da Ferrari e políticos italianos também criticaram, e as ações da empresa caíram após a apresentação.

A Ferrari elétrica vendeu bem?

Sim. Toda a produção prevista para 2026, de pouco menos de 500 unidades, foi vendida em menos de dois meses, e a fila de pedidos vai até o fim de 2027, segundo a Ferrari.

Fontes: Ferrari (apresentação oficial e declarações do CEO Benedetto Vigna); Automotive World; Bloomberg (via InfoMoney); Electrek (via Executive Digest); CNN Brasil; Canaltech; Autoesporte (via BP Money); Itatiaia. Análise: BR-Elétricos.

Sobre o autor

Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.

Todo conteúdo publicado passa por apuração e revisão do editor responsável. Conheça o autor e veja como produzimos nosso conteúdo.

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3 respostas a “Ferrari elétrica: Luce foi chamada de “torradeira”, derrubou as ações e mesmo assim esgotou com fila até 2027”
  1. Avatar de BRUNA
    BRUNA

    Um sonho de consumo!!

  2. Avatar de Jane maria bezerra Silva
    Jane maria bezerra Silva

    Gostei muito

  3. Avatar de EDUARDO BEZERRA SILVA
    EDUARDO BEZERRA SILVA

    que máquina hein? Mesmo eletrica deve ser muito bacana um carro desses!!

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