Raio X de setembro: marcas chinesas ocupam 4 das 8 primeiras posições no varejo de automóveis

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BYD, GWM, CAOA Chery e Omoda Jaecoo ocupam metade das oito primeiras posições no varejo de automóveis de setembro. Somadas, essas quatro operações representam 31,34% desse mercado. Dolphin Mini, Haval H6, Tiggo 7 e Omoda 5 são seus principais modelos no mês.

O avanço do carro chinês no Brasil já pode ser observado em uma disputa que vai além dos elétricos. No ranking de setembro de 2026 da Fenabrave, quatro operações ligadas a fabricantes de origem chinesa aparecem entre as oito primeiras no varejo de automóveis. É um retrato relevante da escolha feita nas concessionárias, em um canal diferente das vendas diretas.

Nosso levantamento parte do gráfico enviado à redação e da conferência do Informativo de Emplacamentos da Fenabrave, edição 285. O recorte precisa acompanhar a manchete: trata-se de automóveis vendidos no varejo em setembro, e não da classificação geral que soma varejo, vendas diretas e comerciais leves. A distinção muda posições e evita conclusões exageradas sobre o tamanho de cada fabricante.

Raio X: quais são as quatro marcas de origem chinesa entre as oito primeiras?

Posição no varejo de automóveis Marca/operação Participação em setembro Modelo líder da operação no varejo
2ª BYD 12,83% Dolphin Mini
6ª GWM 6,49% Haval H6
7ª CAOA Chery 6,32% Tiggo 7
8ª Omoda Jaecoo 5,70% Omoda 5

Fonte: Fenabrave, setembro de 2026, páginas 26 e 31. Omoda e Jaecoo são agrupadas em uma única operação no relatório. CAOA Chery reúne a atuação brasileira da CAOA com a fabricante chinesa Chery; a referência à origem chinesa não significa que a operação ou todos os veículos sejam importados.

A Volkswagen lidera esse recorte, seguida por BYD e GM. Toyota e Fiat completam as cinco primeiras. A sequência seguinte concentra GWM, CAOA Chery e Omoda Jaecoo, à frente da Hyundai. Segundo nossos cálculos, feitos com os percentuais arredondados do gráfico, as quatro operações chinesas somam 31,34%. Esse valor é a participação conjunta delas, e não a participação de todas as marcas chinesas existentes no país.

Na nossa leitura, o resultado mostra uma concorrência distribuída por diferentes necessidades. O consumidor pode chegar ao carro chinês procurando um compacto elétrico, um SUV híbrido ou um SUV com motorização a combustão. O país de origem aproxima esses fabricantes na análise, mas não torna suas propostas equivalentes.

O carro mais vendido de cada operação: varejo e total separados

Operação Modelo líder Varejo em setembro Total do modelo no mês Varejo no total do modelo
BYD Dolphin Mini 5.886 9.385 62,72%
GWM Haval H6 5.843 6.433 90,83%
CAOA Chery Tiggo 7 4.015 4.102 97,88%
Omoda Jaecoo Omoda 5 3.615 3.616 99,97%

Emplacamentos, não pedidos ou faturamento. Fonte: Fenabrave, páginas 6 e 31; conferência cruzada com o levantamento do Motor1. Percentuais calculados pela divisão do varejo pelo total de cada modelo. Os agrupamentos podem reunir versões e motorizações diferentes.

O Dolphin Mini e o Haval H6 terminaram praticamente lado a lado nesse canal: a diferença foi de apenas 43 unidades. Isso não transforma os dois em concorrentes diretos. Eles atendem a faixas e usos diferentes; a proximidade revela que tanto um carro elétrico compacto quanto um SUV híbrido conseguiram atrair volume expressivo no varejo.

BYD: Dolphin Mini abre a porta para o carro elétrico

O Dolphin Mini é o modelo que melhor representa a presença da BYD na entrada do mercado elétrico. Ele foi o primeiro colocado entre os automóveis no varejo de setembro. A fabricante apresenta o compacto como um veículo inteiramente elétrico, conforme sua página oficial.

A interpretação comercial exige olhar além da vitória do modelo. Para quem está escolhendo o primeiro carro elétrico, dimensões, facilidade de condução e possibilidade de recarga fazem parte de uma decisão cotidiana. A compra deixa de ser apenas uma aposta em novidade quando o motorista consegue visualizar o veículo na garagem, no trabalho e nas viagens que costuma fazer.

O ranking registra o resultado dessa disputa, mas não informa por que cada pessoa comprou. Portanto, preço, financiamento, rede e custo de uso são fatores a investigar, e não explicações comprovadas individualmente pelos emplacamentos. Para o consumidor, a orientação continua a mesma: comparar a proposta completa e verificar a infraestrutura de recarga antes de fechar negócio.

GWM: Haval H6 mostra a força do SUV híbrido

GWM Haval H6, vista frontal
GWM Haval H6, vista frontal. Foto: Zotyefan / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Haval H6 puxou a GWM e ficou em segundo lugar no varejo de automóveis. A família combina alternativas híbridas convencionais e híbridas plug-in, conforme a apresentação oficial da linha. O boletim reúne o modelo, sem permitir separar aqui as vendas de cada versão.

Essa variedade importa na análise do carro híbrido. Um HEV dispensa recarga externa; um PHEV permite aproveitar uma bateria recarregável na tomada. Ao falar em Haval H6, portanto, não se deve atribuir a todos os compradores a mesma rotina nem a mesma necessidade de carregamento. O sucesso da família não comprova qual configuração responde por sua maior parte.

Na nossa avaliação, a presença de um SUV híbrido entre os líderes evidencia que a eletrificação também participa da escolha de quem busca espaço e uso familiar. Para esse público, o confronto costuma envolver equipamentos, conforto, manutenção e custo de rodagem. O número do mês é um sinal de competitividade comercial, não uma conclusão de superioridade técnica sobre qualquer rival.

CAOA Chery: Tiggo 7 é o protagonista de setembro

O Tiggo 7 liderou a operação CAOA Chery no varejo. Sua participação de vendas nesse canal ficou próxima da totalidade dos emplacamentos do modelo. Há uma ressalva para quem acompanha apenas carros elétricos e carros híbridos: a tabela da Fenabrave agrupa a família comercial e não autoriza classificar todas essas unidades como eletrificadas.

O modelo ajuda a lembrar que a ofensiva de origem chinesa não depende exclusivamente da tomada. O próprio material técnico do Tiggo 7 Sport documenta uma alternativa da família com motorização a combustão. Não usamos essa ficha para repartir o volume de setembro entre versões, informação que o quadro consultado não oferece.

Para analisar a marca, o mais útil é observar sua capacidade de disputar a compra de um SUV com empresas há décadas estabelecidas no Brasil. Na nossa leitura, um bom desempenho nesse espaço pressiona os concorrentes a justificar preço e conteúdo. Isso pode se refletir nas negociações, mas o boletim sozinho não mede descontos nem permite afirmar que uma promoção específica tenha causado o resultado.

Omoda e Jaecoo: uma operação no ranking, dois protagonistas

Omoda 5, modelo líder da operação Omoda Jaecoo no varejo
Omoda 5. Foto: divulgação/Omoda & Jaecoo. Imagem ilustrativa do modelo; equipamentos variam conforme versão.

O Omoda 5 foi o líder do agrupamento Omoda Jaecoo. Como o leitor pode querer saber o vencedor de cada uma das duas marcas, vale detalhar: o Jaecoo 7 foi o Jaecoo com maior volume no quadro consultado, com 2.613 unidades no varejo e 2.614 no total. O relatório trata Omoda Jaecoo como uma operação, por isso não contamos essa presença duas vezes entre as oito primeiras.

A empresa informou 6.629 emplacamentos em setembro para sua operação completa. Esse total não é o volume do Omoda 5 nem o número exclusivo do varejo. A distinção evita somar universos diferentes em uma mesma comparação.

O resultado dos dois modelos sugere, em nossa análise, que há espaço para caminhos distintos dentro da eletrificação. O Omoda 5 HEV trabalha a proposta de híbrido sem recarga externa, enquanto o Jaecoo 7 apresenta a alternativa plug-in. A tecnologia deve ser escolhida pela rotina, e a posição de vendas funciona como referência de presença comercial, sem substituir test-drive e análise dos custos.

O que muda quando entram picapes e vendas diretas?

No quadro que junta automóveis e comerciais leves no varejo, a participação conjunta das mesmas quatro operações cai para aproximadamente 27,13%, pela soma dos percentuais publicados. O motivo matemático é a mudança da base: entram picapes e outros veículos comerciais, alterando o peso relativo de cada operação. Não se trata de perda de vendas entre duas tabelas.

Também é preciso distinguir o retrato de setembro do acumulado de janeiro a setembro. Um mês ajuda a identificar movimentos recentes; o acumulado oferece uma base mais longa para observar consistência. O ranking de setembro não deve ser apresentado como se descrevesse automaticamente o ano inteiro.

Há outras operações chinesas além dessas quatro. Geely, GAC, CAOA Changan, Jetour, Leapmotor e Denza, por exemplo, aparecem entre os modelos listados no varejo do boletim. Elas não entram na soma de 31,34%. O quadro a seguir amplia a leitura para as demais operações chinesas com automóveis presentes no Top 50 do varejo. Marcas fora dessa lista não podem ter seu modelo líder identificado apenas por esse quadro.

Além das quatro líderes: os destaques das outras operações chinesas no Top 50

Operação Modelo mais emplacado da operação no quadro Varejo de setembro
Geely EX2 2.118
GAC Aion UT 1.276
CAOA Changan CS75 789
Jetour T2 706
Leapmotor C10 585
Denza B5 564

Fonte: Fenabrave, página 31. Recorte de automóveis no varejo, sem comerciais leves. A seleção não representa todas as marcas chinesas registradas no Brasil nem permite repartir os volumes por versão.

O EX2 traz outra frente de disputa para a Geely entre os compactos, enquanto as demais operações procuram espaço com famílias diferentes. O ponto a acompanhar é a continuidade: presença em um ranking mensal permite medir o volume registrado, mas ainda não informa fidelização, satisfação com o pós-venda ou valor de revenda. Para comparar operações que entraram em momentos diferentes, será necessário observar também a evolução ao longo dos meses.

O que o consumidor deve tirar desse resultado?

A conclusão do BR-Elétricos é que o comprador dispõe de mais alternativas relevantes em segmentos diferentes. Antes de escolher pela posição no ranking, confira o atendimento na sua região, o custo das revisões, o seguro, a garantia e a adequação da motorização ao seu uso. Um carro elétrico precisa combinar com sua recarga; um carro híbrido plug-in exige planejamento para aproveitar a tomada; um SUV a combustão terá outra conta de combustível e manutenção.

Quem deseja avançar nessa comparação pode consultar nosso levantamento de carros mais vendidos em setembro e o guia carro elétrico vale a pena?. São perguntas complementares: o ranking mostra o que foi emplacado; a análise da rotina ajuda a entender o que faz sentido comprar.

O fato central permanece: no varejo de automóveis de setembro, metade das oito primeiras posições pertence a operações de origem chinesa. Seus modelos líderes mostram que essa presença já passa por diferentes portas de entrada no mercado brasileiro. Acompanhar os próximos meses permitirá avaliar a continuidade do movimento, sem transformar um resultado mensal em previsão garantida.

Fontes e metodologia

Apuração documental em 06/10/2026. Base principal: Fenabrave, Informativo de Emplacamentos, edição 285, setembro de 2026, páginas 6, 26 e 31. Conferência dos modelos com Motor1; características das famílias consultadas nos materiais oficiais de BYD, GWM, CAOA Chery e Omoda & Jaecoo, vinculados ao longo do texto. Participações conjuntas e proporções de varejo são cálculos do BR-Elétricos; os dados podem receber revisões. As interpretações comerciais são análise editorial, não resultados de pesquisa com compradores. Texto próprio, sem reprodução de parágrafos das fontes.

Sobre o autor

Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.

Todo conteúdo publicado passa por apuração e revisão do editor responsável. Conheça o autor e veja como produzimos nosso conteúdo.

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