Oito marcas de origem chinesa vendem menos de 8 mil carros por ano no Brasil, e o destino delas tende a ser bem diferente: algumas são recém-chegadas com plano de expansão, outras já mostram sinais de risco. De janeiro a setembro de 2026, CAOA Changan (7.401 unidades), Leapmotor (7.144), Jetour (6.509), Denza (3.258), MG (2.870), Zeekr (563), JAC (524) e Neta (196) somaram 28.465 emplacamentos de veículos leves, cerca de 1,3% de um mercado de 2,16 milhões, segundo a tabela de emplacamentos do Autoo, baseada em dados da Fenabrave. Ser pequeno hoje não significa sair amanhã, mas a seleção natural do mercado chinês, como mostramos em 129 marcas na China, aumenta a pressão.
Quem são as marcas nanicas, em números
Na nossa apuração, usamos um critério objetivo: marcas de origem chinesa com menos de 0,5% do mercado de veículos leves no acumulado de janeiro a setembro de 2026. As participações abaixo são cálculo nosso sobre a soma das 56 marcas listadas (2.158.939 unidades).
| Marca | Jan-set/2026 | Participação | Setembro/2026 |
|---|---|---|---|
| CAOA Changan | 7.401 | 0,3% | 1.564 |
| Leapmotor | 7.144 | 0,3% | 1.183 |
| Jetour | 6.509 | 0,3% | 1.130 |
| Denza | 3.258 | 0,2% | 698 |
| MG | 2.870 | 0,1% | 556 |
| Zeekr | 563 | menos de 0,1% | 42 |
| JAC | 524 | menos de 0,1% | 123 |
| Neta | 196 | menos de 0,1% | 7 |
Fonte: Autoo (tabelas de emplacamentos de veículos leves, janeiro a setembro e setembro de 2026), consultado em 08/10/2026. Participação: cálculo do BR-Elétricos.
Para comparação, a BYD vendeu 169.261 carros no mesmo período, 7,8% do mercado, e a GWM, 63.411. A diferença entre os grandes e os nanicos é de uma ordem de grandeza, ou mais.
Quem tem plano para crescer
MG: volta com rede e carros elétricos
A MG retornou ao Brasil em 2025 com a SAIC e 12 grupos de concessionários, de acordo com o Vrum (07/10/2025). O plano era chegar a 24 lojas até o fim de 2025 e a cerca de 70 até o fim de 2026, com MG4, MG S5 e o esportivo Cyberster, todos elétricos. Na nossa avaliação, a marca ainda está construindo rede, e por isso é cedo para julgar. Em setembro, vendeu 556 carros.
Zeekr: mudança de estratégia
Segundo o Autopapo (19/02/2026), a Zeekr decidiu assumir a operação direta no Brasil, ficando com 70% da empresa que operava a marca, e traria também a Lynk & Co, outra marca do grupo Geely. A reportagem descreve o volume de vendas como fraco até então, com 563 emplacamentos em nove meses, e indica que o plano inclui montar rede, pós-venda e divulgar a marca, pouco conhecida. Na nossa visão, isso é sinal de compromisso do fabricante, ainda sem resultado visível nas vendas.
Leapmotor, Jetour e CAOA Changan: pequenas, mas estruturadas
Leapmotor, Jetour e CAOA Changan vendem entre 6,5 mil e 7,4 mil unidades em nove meses e já têm operação estruturada. A Leapmotor, ligada à Stellantis, tem novos modelos previstos para 2027, como mostramos em carro chinês abaixo de R$ 100 mil, e a Jetour faz parte do grupo Chery, tema de nosso acompanhamento mensal. São marcas com respaldo de grupos grandes, o que reduz o risco.
Quem corre mais risco
Neta: 196 carros em nove meses
É o caso mais frágil. A matriz chinesa passou por crise e pedido de falência a partir de 2024; em maio de 2025, o Autopapo informava que a operação brasileira dava sinais de encerramento, com apenas três concessionárias abertas e 46 emplacamentos até abril daquele ano. Em 2026, são 196 em nove meses e apenas 7 em setembro. Não localizamos comunicado oficial recente sobre o futuro da marca no país, portanto tratamos o desfecho como incerto, mas o risco é alto.
JAC: marca conhecida, números pequenos
Com 524 emplacamentos em nove meses, a JAC é uma marca conhecida no país que hoje aparece com volume muito pequeno. Não encontramos anúncio de saída, mas os números mostram um desafio claro.
Ritmo mensal: o que setembro diz sobre cada marca
O acumulado esconde o momento de cada marca, e a comparação com a média mensal ajuda. Dividindo os nove meses, a CAOA Changan tem média de cerca de 822 unidades por mês e vendeu 1.564 em setembro, quase o dobro; a Leapmotor tem média de cerca de 794 e fez 1.183; a Jetour, 723 e 1.130. As três aceleram. A Denza passa de uma média de 362 para 698 em setembro, também em alta. A MG tem média de cerca de 319 e fez 556. Já a Zeekr, com média de 63, vendeu 42 em setembro, abaixo do seu ritmo; a JAC, com média de 58, fez 123, acima; e a Neta, com 22 de média, fez apenas 7. As médias são cálculo nosso. O quadro mostra que a maioria das nanicas chinesas está em aceleração, o que contraria a ideia de que todas estão em declínio.
O que torna uma marca pequena sustentável
Vender pouco não é sinônimo de risco, e vender muito não garante continuidade. Em nossa avaliação, quatro fatores pesam mais do que o volume isolado. O primeiro é o respaldo de um grupo com caixa, como no caso da Jetour (Chery) e da Leapmotor (Stellantis). O segundo é a existência de uma rede em expansão, e não em contração: a MG planeja ampliar suas lojas, enquanto a Neta chegou a operar com apenas três. O terceiro é o produto adequado ao mercado, com preço, equipamento e garantia que justifiquem a escolha diante de marcas mais conhecidas. O quarto é a regularidade: uma marca que cresce mês a mês transmite mais segurança do que uma que depende de lotes pontuais. Quem pensa em comprar de uma nanica deve avaliar esses quatro pontos antes de se encantar com o preço.
Como se proteger se você tem ou vai comprar uma marca pequena
Verifique se a marca tem fábrica ou grupo forte no Brasil, quantas concessionárias estão perto de você, o prazo de garantia (principalmente da bateria) e se há estoque de peças. Marcas pequenas com respaldo de grupos grandes, como Jetour (Chery) ou Leapmotor (Stellantis), tendem a ter menos risco do que marcas isoladas.
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E você: compraria um carro de uma marca ainda pequena no Brasil se o preço fosse bem menor? Conte nos comentários.
Perguntas frequentes
Quais marcas chinesas vendem menos no Brasil em 2026?
De janeiro a setembro, entre as de origem chinesa, as menores são Neta (196), JAC (524), Zeekr (563), MG (2.870), Denza (3.258), Jetour (6.509), Leapmotor (7.144) e CAOA Changan (7.401), segundo o Autoo.
As marcas pequenas vão sair do Brasil?
Algumas podem sair, mas não há como prever com precisão. Marcas com grupos fortes e plano de expansão tendem a ficar; marcas com matriz em crise, como a Neta, correm mais risco.
É seguro comprar um carro de marca pequena?
Depende da marca. Antes de comprar, confira a rede de concessionárias, a garantia, a disponibilidade de peças e a solidez do grupo por trás da marca.
O que acontece com a garantia se a marca sair do país?
Varia conforme o caso. Em geral, o importador responde pelos carros vendidos, mas pode haver dificuldade com peças e assistência. Pergunte à concessionária como a garantia é assegurada.
A Zeekr vai continuar no Brasil?
Em fevereiro de 2026, a Zeekr assumiu 70% da operação brasileira e planejou trazer a Lynk & Co. Isso indica intenção de continuar, mas as vendas ainda são pequenas.
Fontes: Autoo, ranking acumulado 2026 e setembro de 2026 (Fenabrave); Vrum (07/10/2025); Autopapo, Zeekr (19/02/2026); Autopapo, Neta (22/05/2025). Consultados em 08/10/2026. Cálculos e análise: BR-Elétricos.
Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.
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