A Chery já pode ser chamada de “Stellantis chinesa” no Brasil? Pelo modelo de negócio, a comparação faz sentido: um grupo que opera várias marcas, cada uma com rede própria. Pelo tamanho, ainda não: os dados da Autoo até setembro de 2026 mostram 99.642 emplacamentos somados das quatro marcas da Chery, contra 568.851 das cinco marcas da Stellantis.
Quantas marcas a Chery tem no Brasil em 2026?
Nossa apuração aponta quatro marcas em operação: Chery (distribuída pela CAOA, parceria de quase dez anos), Omoda, Jaecoo (as duas sob a estrutura Omoda & Jaecoo) e Jetour, que mantém distribuição independente. A própria Chery já informou que cada marca terá rede e estrutura próprias, no estilo de um grupo multimarcas.
E a lista deve crescer. Segundo a AutoData (06/08/2026), o executivo Peng Hu, presidente da Chery International no Brasil, indicou Icaur e Lepas para 2027 e Exeed, Luxeed e Freelander (joint venture com a JLR) para 2028. Somadas às quatro atuais, seriam nove nomes no país.
Quantos carros a Chery vendeu até setembro?
Somando os números da Autoo para janeiro a setembro de 2026, o grupo chega a 99.642 emplacamentos. A soma é nossa, a partir dos números de cada marca:
| Marca | Emplacamentos jan–set/2026 |
|---|---|
| CAOA Chery | 58.035 |
| Omoda | 20.635 |
| Jaecoo | 14.463 |
| Jetour | 6.509 |
| Total do grupo (soma própria) | 99.642 |
Sobre a base de veículos leves (2.158.939 unidades no período, Fenabrave), isso equivale a cerca de 4,6% do mercado, cálculo nosso. A Omoda & Jaecoo, sozinha, informou 6.629 vendas em setembro, seu oitavo recorde mensal seguido, e ultrapassou 35 mil no acumulado do ano, segundo a Vrum. A meta da operação para 2026 é de 50 mil unidades.
Onde a comparação com a Stellantis faz sentido
Modelo multimarcas
Como a Stellantis, a Chery separa público e rede: Chery e Jetour para um lado, Omoda e Jaecoo para outro, com posicionamentos distintos. Esse desenho permite ter vários SUVs de preços parecidos sem que uma marca canibalize a outra.
Peso global
No mundo, os dois grupos estão próximos. No primeiro semestre de 2026, segundo dados reunidos pela CPCA, a Stellantis tinha 6,0% do mercado mundial e a Chery 4,1%, nona colocada (veja o raio-x das marcas chinesas no top 10 mundial). O Grupo Chery vendeu 2,81 milhões de veículos em 2025 e mira 3,2 milhões em 2026, segundo a Gasgoo.
Eletrificação
A Omoda & Jaecoo informa ocupar o 3º lugar entre as marcas de híbridos e elétricos no Brasil, com 12,4% desse segmento em setembro. O dado é informado pela própria empresa.
Onde a comparação ainda não se sustenta
- Escala: 99,6 mil contra 568,9 mil emplacamentos.
- Rede: a Omoda & Jaecoo tem cerca de 100 pontos e prevê chegar a 150 até dezembro. A Stellantis opera uma rede nacional consolidada há décadas.
- Produção local: a Chery tem a produção da CAOA em Anápolis (GO), enquanto a Stellantis fabrica em vários estados. O plano de 500 mil carros por ano até 2031, segundo a AutoData, exigiria uma ou duas novas fábricas, ainda sem detalhes.
- Preço de entrada: a Stellantis domina os modelos populares. A Chery promete seis modelos do segmento A00 (de entrada), ainda não revelados.
Para ver a disputa entre as chinesas de menor volume, leia também nossa matéria sobre as marcas nanicas do Brasil e o raio-x das chinesas em setembro.
Dentro do grupo: a Chery tradicional pesa mais da metade
Olhando a tabela por dentro, a CAOA Chery responde por 58.035 dos 99.642 emplacamentos, ou cerca de 58% do total do grupo (cálculo nosso). Isso significa que a “Stellantis chinesa” ainda depende, em boa parte, da marca mais antiga e da fábrica de Anápolis. Omoda (20.635) e Jaecoo (14.463) somam 35.098, mais de um terço do total, e são as que mais crescem. A Jetour, com 6.509, é a menor das quatro. Para a comparação com a Stellantis ficar justa, é útil lembrar que a Fiat sozinha vendeu 422.021 carros e comerciais leves, mais de quatro vezes todo o grupo Chery. A distância não está na ausência de marcas, e sim na ausência de um produto de entrada capaz de brigar por volume.
O que precisa acontecer para a diferença diminuir
Na nossa avaliação, três movimentos pesam mais do que o número de marcas. O primeiro é o preço de entrada: a Stellantis vende volume com modelos populares, e a Chery só chega a esse público com os seis modelos do segmento A00 prometidos, ainda não revelados. O segundo é a capilaridade: a Omoda & Jaecoo tem cerca de 100 pontos e quer chegar a 150 até dezembro, enquanto a rede da rival cobre o país há décadas e dá ao comprador confiança em revenda e manutenção. O terceiro é a produção local: quem fabrica no país escapa de parte do imposto de importação, hoje em 35% para os elétricos, e ganha previsibilidade de preço. Se esses três pontos avançarem juntos, a distância deve diminuir; se avançar só a quantidade de marcas, a Chery terá mais nomes, mas pouco mais volume.
Veredito da nossa análise
Em estrutura, a Chery caminha para ser a “Stellantis chinesa” do Brasil. Em resultado, está a uma distância grande: precisaria multiplicar o volume por seis para chegar ao patamar da rival. O ritmo ajuda, já que a Omoda & Jaecoo cresce mês a mês, mas o salto depende de carros mais baratos e de fábrica própria.
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E você, acha que a Chery consegue chegar perto da Stellantis em cinco anos? Deixe sua opinião nos comentários.
Perguntas frequentes
Quantas marcas a Chery tem no Brasil?
Quatro em operação: Chery (via CAOA), Omoda, Jaecoo e Jetour. Icaur e Lepas são esperadas para 2027, e Exeed, Luxeed e Freelander para 2028.
Quantos carros a Chery vendeu no Brasil até setembro de 2026?
99.642 emplacamentos somando as quatro marcas, segundo a Autoo. A soma é cálculo do portal.
A Chery é dona da Omoda e da Jaecoo?
Sim, ambas pertencem ao universo Chery e são conduzidas pela Chery International no Brasil, mas com rede própria, separada da CAOA Chery.
A Chery já passou a Stellantis?
Não. No Brasil, a Stellantis fez 568.851 emplacamentos até setembro, cerca de seis vezes o volume do grupo Chery.
Qual a meta da Chery no Brasil?
Segundo a AutoData, vender ao menos 500 mil veículos por ano até 2031, com mais de mil concessionárias.
Fontes: Autoo (emplacamentos por marca, jan–set/2026), Fenabrave, Vrum (Omoda & Jaecoo, 10/2026), AutoData (06/08/2026), Gasgoo (Chery Group 2025 e meta 2026), CPCA. Todos consultados em 08/10/2026.
Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.
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