Como a Chery pretende vender 500 mil carros por ano no Brasil até 2031: 9 marcas, 1.000 lojas e uma fábrica ainda sem endereço

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O plano da Chery para o Brasil até 2031 é ambicioso: vender pelo menos 500 mil veículos por ano, com mais de mil concessionárias e uma família de marcas que deve passar das quatro atuais para nove, contando cada nome separadamente. Em 2026, o grupo caminha para pouco mais de 130 mil emplacamentos, segundo nossa projeção a partir dos dados da Autoo, e a fábrica própria que sustentaria essa escala ainda não tem local confirmado.

A meta: 500 mil carros por ano em 2031

A meta foi apresentada por Peng Hu, presidente da Chery International no Brasil, e publicada pela AutoData em 06/08/2026. O próprio texto observa que um plano desse tamanho exigiria uma ou duas fábricas e carros de entrada do segmento A00, sem que o executivo tenha dado detalhes.

Para dimensionar: até setembro de 2026, as quatro marcas do grupo somam 99.642 emplacamentos (veja nossa comparação com a Stellantis). A projeção de pouco mais de 130 mil para o ano é nossa e simplesmente mantém a média mensal do período. Chegar a 500 mil significaria multiplicar o volume por cerca de 3,8 em cinco anos.

O calendário de marcas

Ano O que está previsto
2026 Chery (via CAOA), Omoda, Jaecoo e Jetour em operação. Omoda & Jaecoo com meta de 50 mil unidades e rede de 100 para 150 pontos até dezembro.
2027 Chegada de Icaur e Lepas, marcas descritas como mais populares.
2028 Exeed, Luxeed e Freelander (joint venture com a JLR).
2031 Meta de 500 mil veículos por ano e mais de mil concessionárias.

Cada marca terá rede e estrutura próprias. A Chery segue com a CAOA, parceria de quase dez anos, e a Jetour mantém distribuição independente.

Nossa leitura: os números de marcas e de lojas estão ditos publicamente pela Chery. Já o volume de 500 mil depende de duas peças que ainda não foram reveladas: os carros de entrada e a fábrica.

Os carros de entrada: seis modelos A00 ainda secretos

Peng Hu falou em “seis modelos no segmento A00”, ainda não revelados. Em Wuhu, na China, foram apresentados o Omoda 2 e o Jaecoo 3, menores que o Omoda 4 e o Jaecoo 5. Segundo a AutoData, qualquer modelo lançado no exterior pode vir ao Brasil, com motores flex, híbridos, híbridos plug-in e elétricos. Não há data nem preço confirmados para esses carros.

Isso importa para o preço. A faixa de entrada é onde estão os maiores volumes do país, como mostramos ao analisar se os carros a combustão de entrada estão obsoletos.

A fábrica: o ponto sem resposta

O histórico de declarações mostra um plano que muda de forma:

  • Novembro de 2023 (Canaltech/Motor1): a Omoda & Jaecoo queria usar a fábrica parada de Jacareí (SP), mas dizia haver um impasse com a CAOA.
  • Outubro de 2025 (Auto+ TV): falava-se em duas ou três fábricas, entre elas Anápolis (GO), Jacareí ou a compra de unidades ociosas de outras montadoras, com preços considerados altos.
  • Novembro de 2025 (Webmotors): a empresa dizia negociar uma fábrica para operar até meados de 2026, ainda “em estudos”, e não queria apenas montagem CKD. Também considerava construir do zero em três a quatro anos.
  • Agosto de 2026 (AutoData): a matéria não traz local, prazo nem investimento.

Até 08/10/2026, não encontramos anúncio de fábrica confirmada. Esse é o principal ponto de atenção do plano.

O que pode ajudar e o que pode atrapalhar

A favor

  • A Omoda & Jaecoo registrou 6.629 vendas em setembro, o oitavo recorde mensal seguido, segundo a Vrum, e ainda não atua em vendas para PcD, táxi e locadoras, de acordo com seu vice-presidente.
  • O grupo tem escala global: 2,81 milhões de carros em 2025 e meta de 3,2 milhões em 2026, conforme a Gasgoo.
  • O mercado brasileiro cresce, como analisamos no cenário de 3 milhões de veículos em 2026.

Contra

Nossa análise: o tamanho real da meta

Vale transformar os 500 mil em participação de mercado. Com cerca de 2,5 milhões de carros emplacados em 2025, número que usamos em outras matérias, 500 mil carros por ano equivaleriam a mais ou menos 20% do mercado. Para comparação, a BYD, hoje a quarta marca do país, tem cerca de 7,8% nos emplacamentos de janeiro a setembro de 2026, segundo a Fenabrave citada pela Autoo. Ou seja, a Chery está dizendo que quer ter, em cinco anos, mais de duas vezes e meia a fatia que a BYD conquistou até agora. É uma meta possível no papel, porque o mercado brasileiro também cresce, mas é pouco usual na história do setor, e parte de um grupo que hoje tem cerca de 4,6% do mercado, somadas todas as suas marcas.

Há ainda uma lógica industrial por trás do plano. Com imposto de importação de 35% sobre carros prontos, vender 500 mil unidades por ano com produto trazido da China seria economicamente difícil. A produção local, mesmo que em regime de montagem de kits, é o que torna a meta defensável, e por isso a ausência de endereço da fábrica pesa mais do que qualquer número de lojas. Na nossa leitura, a pergunta correta não é se a Chery vai chegar aos 500 mil, e sim se ela vai conseguir uma fábrica, os fornecedores e uma rede de revendas capacitada ao mesmo tempo, e em que ordem. Vamos acompanhar cada passo, porque a resposta define se esse plano é estratégia ou apenas anúncio.

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E você, acha que a Chery chega aos 500 mil carros por ano em 2031? Conte nos comentários.

Perguntas frequentes

Qual é a meta da Chery para o Brasil?

Vender ao menos 500 mil veículos por ano até 2031, com mais de mil concessionárias, segundo a AutoData.

Quais marcas a Chery pretende trazer ao Brasil?

Icaur e Lepas em 2027, e Exeed, Luxeed e Freelander em 2028, somando-se às atuais Chery, Omoda, Jaecoo e Jetour.

A Chery vai ter fábrica própria no Brasil?

É o plano declarado, mas até 08/10/2026 não há local, prazo ou investimento confirmados. As opções citadas em reportagens anteriores incluem Anápolis e Jacareí.

Haverá carros mais baratos da Chery?

A empresa fala em seis modelos do segmento A00, de entrada, ainda não revelados, sem data nem preço.

Os carros da Chery serão elétricos?

Haverá versões flex, híbridas, híbridas plug-in e elétricas, segundo a empresa.

Fontes: AutoData (06/08/2026), Vrum (10/2026), Auto+ TV (01/10/2025), Webmotors (03/11/2025), Canaltech (28/11/2023), Gasgoo, Autoo. Todos consultados em 08/10/2026.

Sobre o autor

Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.

Todo conteúdo publicado passa por apuração e revisão do editor responsável. Conheça o autor e veja como produzimos nosso conteúdo.

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