Dirigi o Omoda 5 no Festival Interlagos e já tinha rodado antes na versão híbrida normal do modelo. Do lado do BYD Dolphin GS, a experiência é ainda mais próxima: um familiar meu tem um, e já fiquei uma semana inteira com o carro no dia a dia. Essa é uma opinião formada nessas duas experiências, comparando um SUV híbrido e um hatch elétrico que disputam o mesmo bolso, por perto de R$ 150 mil.
Minha avaliação: o Omoda 5 me agrada mais, preço por preço, mesmo eu sendo fã declarado da BYD
Vou ser bem franco: adoro a BYD. Para mim, é a marca mais consolidada e mais estruturada do Brasil atualmente entre as chinesas — já são mais de 200 pontos de venda pelo país, uma rede que nenhuma concorrente recém-chegada conseguiu igualar ainda. Isso pesa, e pesa muito, na hora de comprar um carro de uma marca que começou a vender no Brasil há pouco tempo. Mas, em termos de produto, preço por preço, me agrado mais do Omoda 5.
Primeiro, porque é um SUV — e isso já muda a conversa para quem compara com um hatch. Segundo, porque sinto um ganho real de acabamento interno no Omoda 5, e um ganho de produto mesmo: vi o carro de perto no Festival Interlagos, já tinha andado antes no modelo híbrido normal, e gostei bastante — carro muito agradável, boa posição de dirigir, um acabamento interno que impressiona, com uma tela central gigante.
Ficha técnica comparada: motor, bateria, autonomia e espaço
Os dois partem de faixas de preço muito próximas, mas são propostas tecnicamente opostas: o Omoda 5 é um híbrido (HEV) com motor a combustão e elétrico trabalhando juntos, sem plugue; o Dolphin GS é 100% elétrico, com bateria maior e recarga externa. Essa diferença explica boa parte da ficha técnica abaixo.
| Item | Omoda 5 HEV (Luxury) | BYD Dolphin GS |
|---|---|---|
| Carroceria | SUV | Hatch |
| Tecnologia | Híbrido (HEV) — não roda só no elétrico por longas distâncias | Elétrico puro (BEV) |
| Preço (consultado em outubro de 2026) | R$ 159.990 (lançamento, Luxury) — R$ 147.276 na Tabela Fipe | R$ 149.990 |
| Motor a combustão (isolado) | 1.5 turbo, 135 cv | Não tem |
| Motor elétrico (isolado) | 204 cv | 95 cv (único motor) |
| Potência combinada* | 224 cv | 95 cv / 180 Nm |
| Bateria | 1,83 kWh (só para o sistema híbrido, sem recarga externa) | 44,9 kWh |
| Autonomia | ~770 km (ciclo urbano, combinando tanque e bateria) | 291 km (Inmetro, só elétrico) |
| Recarga externa | Não tem — recarrega sozinho andando | 6,6 kW (AC) / até 60 kW (DC, 30%–80% em ~30 min) |
| Distância entre-eixos | 2.610 mm | 2.700 mm |
| Capacidade do porta-malas | 372 L | 375 L |
| 0 a 100 km/h | 7,9 s | 10,9 s |
| Estepe | Não divulgado pela marca | Não divulgado pela marca |
*No Omoda 5, os motores a combustão e elétrico não somam potência de forma simplesmente aditiva — por isso a potência combinada (224 cv) é menor que a soma bruta dos dois motores isolados (135 cv + 204 cv). O preço do Omoda 5 refere-se à versão Luxury, de entrada; a versão Prestige, mais equipada, custa R$ 184.990. Nenhuma das duas marcas confirma oficialmente a presença de estepe físico, o que normalmente indica kit de reparo de pneu no porta-malas — um padrão comum no segmento, como já mostramos no levantamento dos 10 híbridos mais vendidos do Brasil.

Preço e proposta: SUV híbrido contra hatch elétrico pelo mesmo dinheiro
É curioso que, nessa faixa de preço, o comprador brasileiro consiga escolher entre carrocerias e tecnologias tão diferentes: um SUV híbrido de 224 cv que nunca depende de tomada, e um hatch 100% elétrico com 291 km de autonomia Inmetro e recarga rápida em até 30 minutos. O Omoda 5 Luxury saiu por R$ 159.990 no lançamento (preço válido até 30 de novembro, segundo a Omoda) e aparece por R$ 147.276 na Tabela Fipe de outubro de 2026 — o que o deixa, na prática, bem próximo dos R$ 149.990 cobrados pelo Dolphin GS. Já a versão Prestige do Omoda 5, mais completa, custa R$ 184.990 e sai da faixa direta de comparação com o Dolphin GS.
O BYD Dolphin foi, historicamente, o carro que abriu a eletrificação no Brasil em volume real — ainda é uma referência de vendas entre os elétricos de entrada, sustentada pela rede de mais de 200 pontos de venda da BYD. O Omoda 5 é um nome muito mais novo no mercado brasileiro, com rede ainda em construção, mas que chega com um produto que, no meu uso, pareceu mais completo para quem não quer ou não pode depender de recarga externa.
EscolheCar: qual decisão é mais sua
Minha opinião é a de quem já rodou dias com o Dolphin GS e testou o Omoda 5 em dois momentos diferentes — mas ela não substitui uma simulação com a sua rotina, o seu acesso (ou não) a um ponto de recarga e o seu orçamento. Para isso existe o EscolheCar, a ferramenta paga do portal com mais de 60 modelos comparados e relatório personalizado, que cruza preço, autonomia e rotina de uso por um investimento baixíssimo perto do valor de um carro.
Perguntas frequentes
O Omoda 5 e o BYD Dolphin GS custam o mesmo?
Ficam muito próximos. O Omoda 5 Luxury (versão de entrada) saiu por R$ 159.990 no lançamento e está cotado em R$ 147.276 na Tabela Fipe de outubro de 2026, enquanto o Dolphin GS custa R$ 149.990. A versão Prestige do Omoda 5, mais equipada, sobe para R$ 184.990.
O Omoda 5 precisa ser carregado na tomada?
Não. O Omoda 5 é um híbrido convencional (HEV): a bateria de 1,83 kWh se recarrega sozinha, andando, e não existe plugue. Já o Dolphin GS é 100% elétrico e depende de recarga externa, seja em tomada comum (AC) ou em carregador rápido (DC).
Qual dos dois tem mais autonomia?
Depende do que se compara. O Dolphin GS roda 291 km só no elétrico, pelo ciclo Inmetro. O Omoda 5, somando o tanque de combustível e a bateria pequena do sistema híbrido, chega a cerca de 770 km em ciclo urbano — mas nunca roda só no elétrico por longas distâncias.
Algum dos dois tem estepe?
Nenhuma das duas marcas confirma oficialmente a presença de estepe físico nas versões citadas, o que normalmente indica kit de reparo de pneu no porta-malas em vez do estepe tradicional.
Qual rede de assistência é maior atualmente no Brasil?
A da BYD, com folga: a marca já soma mais de 200 pontos de venda no país, a maior rede entre as marcas chinesas. A rede da Omoda ainda está em construção, por ser um nome mais recente no mercado brasileiro.
E você, já dirigiu os dois? Me conta nos comentários se concorda que vale trocar a certeza da bateria grande por um SUV híbrido mais completo pelo mesmo investimento — ou se, para você, a rede e a reputação da BYD ainda pesam mais.
Fontes consultadas: ficha técnica oficial Omoda e BYD; Tabela Fipe (outubro de 2026); Carro.blog.br, Mecânica Online e AutoMaisTV (preços e ficha técnica do Omoda 5); Canalve e Revista Carro (preços e ficha técnica do Dolphin GS); além da apuração própria do BR-Elétricos em Carro híbrido: tipos, tecnologias e os 10 mais vendidos do Brasil em agosto de 2026 e BYD Dolphin G pode ser um dos carros mais vendidos do Brasil?.
Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.
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