O GAC Aion UT, carro elétrico de entrada da GAC no Brasil, começou bem em julho, mas caiu em agosto. Segundo dados do painel BI da ABVE, o modelo emplacou 978 unidades em agosto, uma queda de 8% sobre as 1.063 de julho. No mesmo período, a concorrência só cresceu: o GWM Ora 5 esgotou o lote inicial em 24 horas e já teve o preço reajustado três vezes, e chegaram ao mercado (ou ganharam força) o MG4 Urban e o BYD Atto 2 DM-i Flex. A pergunta que fica: será que a GAC ainda vai decolar no Brasil?
Os números: como foram as vendas do Aion UT desde o lançamento
O Aion UT começou a ser emplacado em junho, mesmo mês do lançamento do Ora 5. Os números da ABVE mostram uma curva de subida seguida de queda:
| Mês | Emplacamentos | Variação |
|---|---|---|
| Junho (lançamento) | 658 | — |
| Julho | 1.063 | +61,6% |
| Agosto | 978 | -8,0% |
Fonte: painel BI Frotas da ABVE (abve.org.br/bi-frotas), filtro por modelo GAC Aion UT (versões Elite + Premium).
É a primeira queda mês a mês do modelo desde que começou a ser emplacado — e ela chega justo no momento em que o segmento de carro elétrico de entrada ficou mais concorrido, não menos.
O que pode ter dado errado: motor grande, bateria pequena na versão de entrada
As duas versões do Aion UT à venda no Brasil — Premium (R$ 139.990) e Elite (R$ 159.990) — usam o mesmo motor elétrico de 204 cv. A diferença entre elas está só na bateria: 44,1 kWh na Premium contra 60 kWh na Elite, o que resulta em 253 km de autonomia (PBEV/Inmetro) na entrada contra 310 km na topo de linha. Segundo comparação da Encontracarros, os 253 km da versão Premium ficam abaixo até de rivais mais baratos, como o BYD Dolphin (295 km) e o Geely EX2 (289 km) — ou seja, a versão de entrada do Aion UT paga o preço (literal) de manter um motor potente que a maioria dos compradores desse segmento trocaria de bom grado por mais autonomia.
Orlando Silva, fundador do BR-Elétricos, esteve na concessionária da GAC no dia em que os preços do Aion UT foram liberados e presenciou ao vivo 6 clientes desistindo da compra na hora — um sinal direto de como o preço pesou na decisão de quem já estava pronto pra fechar negócio.
Aion UT x Ora 5: o comparativo direto
| Modelo | Motor | Bateria | Autonomia | Preço atual |
|---|---|---|---|---|
| Aion UT Premium | 204 cv | 44,1 kWh | 253 km | R$ 139.990 |
| Aion UT Elite | 204 cv | 60 kWh | 310 km | R$ 159.990 |
| GWM Ora 5 | 204 cv | 58,3 kWh | 349 km | R$ 163.990 |
Fontes: Encontracarros (ficha técnica Aion UT), GWM Motors Brasil e Vrum (ficha técnica e preço do Ora 5, setembro/2026).
Com praticamente o mesmo motor (204 cv nos três casos) e uma diferença de preço de só R$ 4 mil sobre a Elite, o Ora 5 entrega 39 km a mais de autonomia — uma bateria melhor aproveitada, não só maior.

O termômetro do preço certo: como o Ora 5 decolou
O Ora 5 chegou ao mercado no mesmo mês que o Aion UT — 24 de junho — por R$ 159.000. Segundo a própria GWM, o lote inicial de mais de 2.000 unidades esgotou em 24 horas, um volume que a montadora projetava vender em um mês inteiro. “Vender, em apenas um dia, um volume projetado para um mês reforça a confiança na marca e na nossa estratégia para o mercado brasileiro”, disse Diego Fernandes, COO da GWM Brasil, na ocasião. Depois disso, o preço subiu duas vezes — para R$ 159.900 em julho e para R$ 163.990 atualmente — sempre por causa da demanda superando a oferta, não o contrário.
Vale uma ressalva sobre os números: o volume de pedidos (2.000 em 24h) é um dado da própria montadora, diferente do emplacamento oficial da ABVE, que tem atraso natural entre a reserva e o registro do veículo. No painel da ABVE, o Ora 5 aparece com 725 unidades emplacadas em julho (1,29% de participação entre os eletrificados) — menor que os 1.063 do Aion UT no mesmo mês, o que mostra que o Ora 5 ainda estava processando a fila de pedidos represada de junho. Ainda assim, o sinal de demanda é o oposto do Aion UT: um carro que precisou subir de preço três vezes porque não dava conta de vender, contra um que já emplaca menos depois de só dois meses no mercado.
A concorrência não parou de crescer
Enquanto o Aion UT patinava, outros dois nomes ganharam força no mesmo segmento. O MG4 Urban, hatch elétrico vendido entre R$ 129.990 e R$ 149.990, teve reforço de peso em setembro: a MG confirmou que vai passar a fabricá-lo em Horizonte (CE), na antiga linha da Troller, com início de produção previsto para outubro — o que deve baratear a logística e sustentar a presença do modelo no médio prazo.

Já o BYD Atto 2 DM-i Flex segue como opção de carro híbrido plug-in no mesmo patamar de preço — chegou a R$ 144.990 na condição PCD em agosto — e concorre por um público que ainda tem receio de depender só de eletricidade, já que roda até 110 km no elétrico antes de acionar o motor a combustão flex.

Será que a GAC ainda decola no Brasil?
Não dá pra cravar uma resposta definitiva com só três meses de dados. A GAC é um grupo global grande, com fôlego pra sustentar presença de marca mesmo com um primeiro produto capengando — e já sinalizou mais lançamentos por aqui, incluindo a linha Aion Y. Mas o caso do Aion UT mostra um erro que dá pra corrigir: a versão de entrada não pode sacrificar o principal motivo de compra do segmento (autonomia) só pra manter uma especificação de motor que a maioria dos compradores nem usa no dia a dia. Se a GAC ajustar a ficha técnica da Premium — ou simplesmente cortar mais o preço dela — o modelo tem chão pra se recuperar. Do jeito que está, a queda de agosto é mais fácil de explicar do que de reverter sozinha.
Perguntas frequentes
Quantas unidades do GAC Aion UT foram emplacadas em agosto de 2026?
978 unidades, segundo o painel BI Frotas da ABVE — uma queda de 8% sobre as 1.063 de julho.
Por que a versão de entrada do Aion UT tem autonomia baixa?
Porque a Premium usa o mesmo motor de 204 cv da versão Elite, mas com uma bateria bem menor (44,1 kWh contra 60 kWh), resultando em 253 km de autonomia — abaixo até de rivais mais baratos, como BYD Dolphin e Geely EX2.
O GWM Ora 5 é mais barato que o Aion UT?
Não exatamente: o Ora 5 custa R$ 163.990, cerca de R$ 4 mil a mais que o Aion UT Elite (R$ 159.990). Mas entrega 39 km a mais de autonomia (349 km contra 310 km) pelo mesmo motor de 204 cv, o que o torna mais competitivo em custo-benefício.
O Ora 5 vendeu mais que o Aion UT?
Em emplacamentos oficiais da ABVE, não — o Ora 5 registrou 725 unidades em julho contra 1.063 do Aion UT no mesmo mês. Mas o Ora 5 vendeu 2.000 unidades em 24 horas no lançamento (dado da própria GWM) e precisou subir de preço três vezes por excesso de demanda, um sinal de mercado oposto ao do Aion UT.
Quais outros carros elétricos e híbridos concorrem com o Aion UT?
No mesmo patamar de preço, o principal concorrente direto é o GWM Ora 5. O MG4 Urban (R$ 129.990 a R$ 149.990, produção nacional a partir de outubro) e o BYD Atto 2 DM-i Flex (carro híbrido plug-in, a partir de R$ 144.990 na condição PCD) também disputam o mesmo público.
Fontes: painel BI Frotas da ABVE (abve.org.br/bi-frotas), Encontracarros, GWM Motors Brasil, Vrum, Terra, relato direto de Orlando Silva (fundador do BR-Elétricos).

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