No varejo fechado de setembro, o Geely EX2 vendeu 2.118 unidades e ficou em 23º lugar, contra 5.488 em agosto, quando era o 3º mais vendido: queda de cerca de 61%. O BYD Dolphin Mini liderou o varejo com 5.886 emplacamentos, segundo ranking da JATO Dynamics publicado pelo WM1, da Webmotors. Varejo é a venda ao consumidor final, sem frotistas e locadoras.
Esta matéria foi atualizada em 22/10/2026 com o fechamento do mês; a versão original, de 28 de setembro, trazia o parcial até o dia 24. A Geely não deu explicação pública para a queda nas fontes que consultamos. Abaixo, separamos o que os números mostram do que ainda é hipótese.
Geely EX2 vs Dolphin Mini: os números do varejo
| Modelo | Agosto (varejo) | Setembro (varejo fechado) | Posição em setembro |
|---|---|---|---|
| Geely EX2 | 5.488 (3º) | 2.118 (queda de cerca de 61%) | 23º |
| BYD Dolphin | cerca de 6 mil (1º) | 3.008 (queda de cerca de 50%) | 14º |
| BYD Dolphin Mini | 2º no varejo | 5.886 | 1º |
Fonte: JATO Dynamics, via WM1/Webmotors (ranking de varejo de setembro de 2026) e levantamento parcial do WM1 de 30/09 para agosto. Os percentuais são cálculo nosso sobre esses números. Setembro do EX2 em todos os canais (varejo, frotas e vendas diretas) foi de 2.724 unidades, segundo a ABVE.
Dois detalhes chamam atenção. O primeiro é que o EX2 não caiu sozinho: o Dolphin, que liderou o varejo em agosto, também perdeu metade das vendas. O segundo é que o Dolphin Mini seguiu forte e foi o 3º carro mais vendido do país em todos os canais, com 9.385 unidades, a primeira vez que um elétrico entra no top 3 mensal da Fenabrave. Mostramos a disputa por marcas em BYD vs Chevrolet em setembro.
O que pode explicar a queda do EX2
Procuramos uma declaração oficial da Geely sobre o assunto em várias fontes e não a encontramos. O que existe são fatos que ajudam a entender o cenário e hipóteses. Listamos do que tem mais base ao que tem menos:
1. Oferta menor de importados e reajuste em outubro
Em 2 de outubro, a CNN Brasil noticiou reajuste no EX2: a versão Pro foi de R$ 123.800 para R$ 124.600, e a Max de R$ 136.800 para R$ 137.800. Segundo o Vrum, o financiamento com taxa zero passou a exigir entrada de 70%, contra 60% antes. A CNN atribui o aumento à redução da oferta de alguns importados e à transição para a produção local, mas ressalta que não há declaração oficial da Geely sobre escassez. Ou seja: a falta de carros é a leitura mais plausível, não uma confirmação.
2. Estoque curto, como em fevereiro
Não seria a primeira vez. Em fevereiro de 2026, as vendas do EX2 caíram de 1.124 para 193 unidades, e a própria Geely explicou à imprensa que o estoque tinha acabado, porque a importação inicial foi menor que a procura. O EX2 é importado da China, e o ritmo de chegada dos navios pesa diretamente no emplacamento.
3. Imposto de importação em 35%
Desde julho de 2026, o imposto de importação sobre carro elétrico chegou a 35%, último degrau do aumento gradual iniciado em 2024. É possível que os lotes trazidos antes da alta tenham acabado. Isso também ajudaria a explicar a queda do Dolphin, outro elétrico importado, mas é hipótese nossa: nenhuma fonte liga o imposto diretamente à queda de setembro. O Dolphin Mini é montado pela BYD em Camaçari (BA), o que o protege em parte desse efeito.
4. Concorrência mais forte
O segmento de elétricos de entrada ficou lotado em poucos meses: MG4 Urban, GAC Aion UT (1.470 unidades em setembro, todos os canais) e o próprio Dolphin Mini disputam o mesmo cliente. Comparamos esses rivais em MG4 Urban vs Geely EX2 vs GAC Aion UT e mostramos a guerra de condições em taxa zero virou padrão entre as chinesas.
Na nossa leitura, a combinação de oferta curta com custo mais alto é a explicação mais provável, mas só a Geely pode confirmar.
O que vem por aí: EX2 nacional
Segundo o Vrum, a Geely prevê começar a fabricar o EX2 em dezembro, em São José dos Pinhais (PR), em parceria com a Renault. A versão nacional deve ter bateria de 47 kWh, contra cerca de 40 kWh da atual. O modelo importado hoje tem motor traseiro de 116 cv e autonomia de 289 km no Inmetro. Curiosamente, na China o EX2 (chamado Xingyuan) é um fenômeno de vendas, como contamos em Geely EX2 domina vendas na China. Ou seja, o problema no Brasil não parece ser falta de procura pelo carro, e sim de oferta e preço.
O que isso significa para quem quer comprar
Para quem está de olho no EX2, a queda pode significar prazo de entrega maior em algumas concessionárias e menos margem para desconto enquanto o estoque estiver curto, além da entrada maior no financiamento com taxa zero. Vale pedir prazo de entrega por escrito e comparar com os rivais antes de fechar negócio. Se o EX2 está na sua lista, o EscolheCar compara mais de 60 modelos lado a lado e gera um relatório personalizado, por um investimento baixo perto do valor de um carro.
Perguntas frequentes
Por que as vendas do Geely EX2 caíram em setembro?
A Geely não explicou oficialmente. A leitura mais plausível é oferta menor de importados, com reajuste de preço e entrada maior no financiamento em outubro, além de estoque curto como em fevereiro. O imposto de importação de 35% é uma hipótese adicional.
Quanto o Geely EX2 vendeu em setembro?
No varejo, 2.118 unidades, contra 5.488 em agosto, segundo a JATO Dynamics via WM1. Em todos os canais, foram 2.724 unidades, segundo a ABVE.
Qual o carro elétrico mais vendido do Brasil em setembro?
O BYD Dolphin Mini, com 9.385 unidades em todos os canais. No varejo, também liderou, com 5.886.
O Geely EX2 é fabricado no Brasil?
Ainda não. O EX2 é importado da China, e a Geely prevê começar a produzi-lo no Paraná em dezembro de 2026. O EX5 EM-i, que é híbrido plug-in, já é fabricado no estado.
Fontes consultadas: WM1/Webmotors — 50 carros mais vendidos no varejo em setembro de 2026, WM1/Webmotors — EX2 e Dolphin em setembro, Auto Show — elétricos mais vendidos (ABVE), CNN Brasil — reajuste do EX2 e EX5, Vrum — EX2 mais caro antes da produção no Paraná, Auto+ TV — queda do EX2 em fevereiro e Primo Auto — imposto de 35% sobre elétricos. Não encontramos declaração oficial da Geely sobre a queda. Há divergência entre fontes nos números de agosto do Dolphin; usamos “cerca de 6 mil”.
Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.
Todo conteúdo publicado passa por apuração e revisão do editor responsável. Conheça o autor e veja como produzimos nosso conteúdo.


Deixe um comentário