BYD, WEG e Intelbras estão disputando um mercado que vai além do carro elétrico: a energia solar na casa do brasileiro. A BYD fabrica painéis em Campinas (SP) e passou a vender kits solares nas 233 concessionárias; a WEG produz inversores e baterias e montou um centro de distribuição no Nordeste; a Intelbras vende sistemas completos e comprou a Renovigi. Para mostrar o que isso significa no bolso, simulamos uma casa que consome 1.000 kWh por mês: a economia passa de R$ 56 mil em 5 anos.

Para quem tem ou pensa em ter um carro elétrico ou um carro híbrido plug-in, a conta fica ainda mais interessante, porque a mesma placa que abastece a casa pode abastecer a garagem. E para quem vai reformar ou construir, publicamos no Casa Tropical Brasil um guia sobre como deixar a casa pronta para as placas solares desde a obra.
BYD: painéis de Campinas e kit vendido na concessionária
A BYD é a mais verticalizada das três. Ela produz módulos fotovoltaicos em Campinas, onde inaugurou em 2022 uma linha de módulos de alta potência que triplicou a capacidade da fábrica para 500 MW por ano, segundo o Canal Solar. Em Campinas também funciona o laboratório de pesquisa em painéis solares que a marca abriu, com investimento de R$ 65 milhões.
O passo mais recente foi levar o painel para dentro da loja de carros. O kit vendido nas concessionárias tem oito módulos de 600 W (4,8 kWp), gera cerca de 600 kWh por mês e inclui instalação, homologação na distribuidora e seguro de um ano, segundo a própria BYD. Não é preciso comprar um carro da marca. Para quem leva o Song Pro Flex, o kit sai em 36 parcelas de R$ 512 sem juros, ou R$ 18.432.
Um esclarecimento importante: Camaçari (BA) é o polo industrial da BYD para veículos, com montagem de carros, chassis de ônibus elétricos e uma unidade de baterias. Nas fontes que consultamos, não há produção de painéis solares na Bahia. O painel é paulista; a bateria e o carro, baianos. Na nossa visão, é justamente essa combinação que dá à BYD um argumento que nenhuma montadora tradicional tem no Brasil: vender o carro, o carregador e a energia que abastece os dois.
BYD vs WEG vs Intelbras: o que cada uma faz em energia solar
| BYD | WEG | Intelbras | |
|---|---|---|---|
| Painéis solares | Fabrica em Campinas (SP), 500 MW/ano | Vende em kits; sem fábrica própria de painéis identificada | Vende em kits; fabricação própria não confirmada |
| Inversores | Inclui no kit | Fabrica no Brasil | Desenvolve e vende linha própria |
| Baterias | Unidade de baterias em Camaçari (BA) | Fábrica de R$ 280 milhões em Itajaí (SC), 2 GWh/ano | Vende baterias de lítio e chumbo |
| Como chega ao cliente | 233 concessionárias BYD, kit com instalação | Rede de integradores e hub em Jaboatão (PE) | 120 distribuidores e mais de 100 mil revendas |
| Ligação com o carro elétrico | Direta: vende carro, carregador e kit | Fornece tração, baterias e recarga para ônibus e veículos elétricos | Indireta |
Fontes: BYD Brasil, Canal Solar, InvestNews, A Tarde, Movimento Econômico e Baguete. Quando uma informação não foi encontrada nas fontes, isso está indicado na tabela.
WEG: inversor, bateria e logística
A catarinense WEG entra pelo lado da eletrônica. Ela fabrica inversores no Brasil, vende kits completos e já tem nas baterias cerca de 20% do valor dos kits que comercializa, segundo entrevista do diretor Harry Neto ao Canal Solar. Em março de 2026, a empresa abriu em Jaboatão dos Guararapes (PE) um centro de distribuição para atender o Nordeste, com estoque de 50 MW por mês, e anunciou uma fábrica de baterias de R$ 280 milhões em Itajaí (SC), com capacidade de 2 GWh por ano.
Intelbras: do telefone ao telhado
A Intelbras, conhecida por telefonia e segurança eletrônica, vende painéis, inversores, controladores e baterias desde 2019. Em fevereiro de 2022, fez a maior compra da sua história: a Renovigi, de Chapecó (SC), por R$ 334 milhões, empresa que dizia ter mais de 1,5 milhão de painéis instalados no país. A força da Intelbras está na distribuição, com mais de 120 distribuidores e 100 mil revendas, segundo a própria empresa.
Simulação: quanto economiza uma casa que gasta 1.000 kWh por mês
Uma casa com consumo de 1.000 kWh por mês (no dia a dia muita gente fala em “1.000 kW”, mas a unidade da conta de luz é o kWh) é uma residência grande ou com ar-condicionado e chuveiro elétrico em uso pesado. Com a tarifa de 2026, ela paga perto de R$ 1.000 por mês de luz. Para cobrir esse consumo, seria preciso um sistema de cerca de 8,4 kWp, ou 14 painéis de 600 W, na mesma proporção do kit da BYD. Pelas faixas de preço levantadas pelo Monitor do Mercado em 2026 (R$ 27 mil a R$ 38 mil para 8 kWp), estimamos o investimento em R$ 33 mil.
| Ano | Conta sem placas | Conta com placas | Economia no ano | Economia acumulada |
|---|---|---|---|---|
| 2027 | R$ 12.720 | R$ 2.434 | R$ 10.286 | R$ 10.286 |
| 2028 | R$ 13.483 | R$ 2.832 | R$ 10.652 | R$ 20.938 |
| 2029 | R$ 14.292 | R$ 3.183 | R$ 11.110 | R$ 32.047 |
| 2030 | R$ 15.150 | R$ 3.380 | R$ 11.769 | R$ 43.817 |
| 2031 | R$ 16.059 | R$ 3.590 | R$ 12.469 | R$ 56.285 |
Simulação do BR-Elétricos. Premissas: consumo de 1.000 kWh/mês; sistema de 8,4 kWp (14 painéis de 600 W) gerando 125 kWh por kWp ao mês, a mesma relação do kit da BYD (4,8 kWp para cerca de 600 kWh); perda de 0,5% de geração ao ano; tarifa de R$ 1,00/kWh com impostos em 2026, subindo 6% ao ano; 40% da energia consumida na hora em que é gerada; Fio B de R$ 0,21/kWh cobrado em 75% em 2027, 90% em 2028 e, por hipótese nossa, 100% a partir de 2029; taxa mínima de 100 kWh/mês mantida na conta. Investimento estimado: R$ 33 mil. Valores nominais, sem descontar inflação.
No cenário central, a economia acumulada chega a cerca de R$ 56 mil em 5 anos, e o sistema se paga em pouco mais de 3 anos. A conta não zera: com placas, a casa ainda paga a taxa mínima e o Fio B, a parte da tarifa de distribuição que a Lei 14.300 passou a cobrar de quem instalou o sistema a partir de 2023. Em 2026, essa cobrança está em 60% e sobe até 90% em 2028, segundo o Canal Solar. Por isso a conta com placas sobe de cerca de R$ 200 para R$ 300 por mês ao longo dos 5 anos.
Como a tarifa muda muito de uma distribuidora para outra, rodamos a mesma conta com três valores. A Aneel projeta a tarifa residencial média em R$ 851 por MWh (R$ 0,85 por kWh) em dezembro de 2026, ainda sem impostos, e uma alta média de 8,6% no ano.
| Tarifa em 2026 (com impostos) | Economia bruta em 5 anos | Economia líquida (descontado o sistema) |
|---|---|---|
| R$ 0,85 | R$ 46.605 | R$ 13.605 |
| R$ 1,00 | R$ 56.285 | R$ 23.285 |
| R$ 1,15 | R$ 65.965 | R$ 32.965 |
Mesmas premissas da simulação principal, mudando só a tarifa de 2026. Fonte da projeção de tarifa: Aneel, via Movimento Econômico (junho de 2026).
E se a casa tiver um carro elétrico na garagem?
Pela nossa estimativa, um carro elétrico compacto como o BYD Dolphin Mini, que faz cerca de 7,4 km por kWh pelos números do Inmetro, gasta perto de 150 kWh por mês para rodar 1.000 km, já contando perdas na recarga. Isso pede mais 1,2 kWp no telhado, ou duas placas de 600 W, e acrescenta cerca de R$ 4,7 mil ao investimento. Em troca, a recarga em casa deixa de pesar na conta de luz. Para comparar com gasolina e etanol, veja quanto custa rodar 1.000 km com elétrico, híbrido e flex, e o nosso guia de carregador de carro elétrico em casa.
O que pode mudar a conta
- Regra depois de 2028: a Lei 14.300 define a cobrança do Fio B só até 2028. Na simulação, supomos cobrança integral a partir de 2029, o que deixa o resultado mais conservador.
- Telhado e região: sombra, inclinação e orientação do telhado mudam a geração. No Nordeste, a geração por placa tende a ser maior que no Sul.
- Troca do inversor: o inversor costuma durar menos que os painéis, e a troca pode custar de R$ 4 mil a R$ 15 mil ao longo da vida do sistema, segundo o Monitor do Mercado.
- Bateria: a simulação não inclui bateria. Ela aumenta o investimento, mas ajuda quem quer usar a energia solar à noite, inclusive para carregar o carro.
Na nossa visão, a disputa entre BYD, WEG e Intelbras é boa notícia para o consumidor: mais fabricação local, mais canais de venda e mais concorrência no preço do kit. Mas a decisão continua sendo da casa, não da marca. Peça pelo menos três orçamentos, exija o projeto com a geração estimada mês a mês e confira se a instalação inclui homologação na distribuidora.
E você: já tem placas solares em casa ou pensa em instalar junto com o carro elétrico? Conte nos comentários.
Perguntas frequentes
A BYD fabrica painéis solares em Camaçari?
Não, segundo as informações públicas que consultamos. Os painéis da BYD são feitos em Campinas (SP), em uma fábrica de 500 MW por ano. Em Camaçari (BA), a BYD monta carros e produz chassis de ônibus elétricos e baterias.
A WEG fabrica placas solares?
A WEG fabrica no Brasil inversores e sistemas de baterias e vende kits completos de energia solar, mas não encontramos informação de fábrica própria de painéis. A empresa anunciou uma fábrica de baterias de R$ 280 milhões em Itajaí (SC), com capacidade de 2 GWh por ano.
O que a Intelbras faz em energia solar?
A Intelbras atua em energia solar desde 2019, com painéis, inversores e baterias, e comprou a catarinense Renovigi em 2022 por R$ 334 milhões. Não encontramos confirmação de que ela fabrique os próprios painéis no Brasil.
Quanto uma casa que gasta 1.000 kWh por mês economiza com placas solares em 5 anos?
Na nossa simulação, cerca de R$ 56 mil em 5 anos com tarifa de R$ 1,00/kWh, ou cerca de R$ 23 mil já descontado um sistema de R$ 33 mil. O sistema se paga em pouco mais de 3 anos, mas o resultado muda com a tarifa, o telhado e a região.
Quantas placas a mais preciso para carregar um carro elétrico em casa?
Para rodar 1.000 km por mês com um carro elétrico compacto, o consumo fica perto de 150 kWh por mês, o que pede cerca de 1,2 kWp a mais, ou duas placas de 600 W, pela nossa estimativa.
Fontes consultadas: BYD Brasil — kits solares nas concessionárias, Canal Solar — linha de módulos da BYD em Campinas, InvestNews — laboratório da BYD, A Tarde — fábricas da BYD em Camaçari, Canal Solar — WEG, Movimento Econômico — hub da WEG em Pernambuco, Canal Solar — Intelbras, Baguete — compra da Renovigi, Canal Solar — Fio B em 2026, Monitor do Mercado — preços de sistemas em 2026 e Movimento Econômico — projeção de tarifa da Aneel. Simulação e cálculos: BR-Elétricos.
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