A MG abriu em outubro de 2026 a pré-venda do IM6, um SUV elétrico de luxo que chega ao Brasil como o primeiro produto da marca IM Motors vendido na rede MG. É, de longe, o carro mais ambicioso que a empresa já colocou no mercado nacional. Mas, para além da ficha técnica impressionante, ele levanta uma pergunta que vale mais do que os números: o Brasil, financeiramente, está pronto para um carro desse patamar?
O que a MG já confirmou sobre o IM6
A pré-reserva foi aberta na semana de 2 de outubro, pelo site oficial e pela rede de concessionárias, sem pagamento antecipado. A imprensa especializada reporta duas versões, e a potência da topo de linha aparece de duas formas: 752 cv em parte das publicações e 767 cv em outras. Como a diferença ainda não foi esclarecida oficialmente, tratamos o número como “até 752 cv, podendo chegar a 767 cv conforme a medição” até a MG publicar a ficha definitiva.
| Item | Versão de entrada | Versão topo |
|---|---|---|
| Tração | Traseira, um motor | Integral, dois motores |
| Potência | 295 cv | 752 cv (767 cv em algumas fontes) |
| Bateria | 75 kWh (400 V) | 100 kWh (800 V) |
| 0 a 100 km/h | 6,4 s | 3,5 s |
| Autonomia Inmetro | 348 km | até 400 km |
| Autonomia WLTP | 450 km | 505 km |
Os dois ciclos de autonomia não são comparáveis entre si: o do Inmetro é mais conservador do que o WLTP europeu. Para o uso real no Brasil, o número de referência é o do Inmetro. A recarga rápida em corrente contínua é anunciada de 10% a 80% em cerca de 18 minutos, mas as fontes não deixam claro a qual versão o número se refere.
IM: a aposta de luxo por trás da MG
A IM Motors é a marca premium ligada ao grupo SAIC, o mesmo da MG. Na prática, o IM6 é a vitrine tecnológica do grupo: direção nas quatro rodas, arquitetura de 800 V na versão topo, tela central grande e um interior pensado para competir com os alemães. Ele mede cerca de 4,90 m de comprimento, com entre-eixos próximo de 2,95 m, e vem na silhueta de SUV cupê. A MG cita concorrentes como Zeekr 7X e BYD Sealion 7, o que mostra o tamanho do salto em relação ao MG4 Urban, por exemplo.
O lançamento está previsto para outubro, mas ainda sem data fechada, e os preços devem ser divulgados nas semanas seguintes. Segundo a imprensa, cerca de 300 unidades já teriam sido pré-reservadas. É um dado de intenção, não de venda concluída.
Nossa visão: um carro fantástico, mas para quem?
Quando se vê o IM6 de perto, a impressão é a de um carro fantástico, e não dizemos isso de forma leviana. Mas, na nossa visão, é preciso separar o produto do mercado. Não sei se o Brasil, financeiramente, está pronto para receber carros desse patamar em escala. Ele será um produto exclusivo, para o público A e B, comprado por quem já tem outro carro na garagem e quer um segundo veículo tecnológico.
E esse é um recado sobre o ambiente de negócios do país. Se o Brasil tivesse um ambiente melhor, com carga tributária menos pesada e menos custos para importar e produzir, poderíamos ter preços muito melhores em veículos de qualquer faixa. Uma ideia que ouvimos com frequência é que os carros chineses são baratos por causa da mão de obra. Pelo que apuramos nas visitas às fábricas, não é isso: a mão de obra na China hoje é mais cara do que a brasileira. Uma pesquisa da Gi Group, divulgada pela AutoData em 2024, estimou o salário médio líquido do setor automotivo brasileiro em cerca de 60% abaixo do pago na China para funções semelhantes (o levantamento é de 2023 e não considera a carga tributária de cada país). O custo menor vem de escala, cadeia de fornecedores integrada, tecnologia de bateria própria e política industrial, não de salário baixo.
Por que lançar um carro de luxo, mesmo sabendo que ele vende pouco?
Porque o carro de luxo funciona como laboratório. A história do automóvel mostra isso: vidro elétrico e ar-condicionado nasceram como itens de modelos topo de gama nos anos 1980 e, com o tempo, chegaram a toda a linha. A tecnologia de um IM6 hoje, como a recarga em 800 V, os assistentes de condução e o software do cockpit, tende a chegar aos modelos populares da marca nos próximos anos.
Há ainda um objetivo de imagem. Lançamentos assim servem para demonstrar a capacidade de engenharia das marcas chinesas, que durante muito tempo foram vistas apenas como alternativa barata. Esse movimento ficou evidente no Festival Interlagos, em que quase metade das marcas presentes era chinesa. Leia nossa cobertura em Festival Interlagos 2026: 14 das 32 marcas eram chinesas.
O que ainda falta saber
Até a última atualização desta matéria, preço, versões definitivas, data exata do lançamento e prazo de entrega não haviam sido confirmados pela MG. Também não há garantia de bateria e de rede de recarga específica para o IM6. Vamos atualizar o texto assim que os valores forem divulgados. Se você está avaliando o custo de um elétrico no geral, veja carro elétrico vale a pena? Quando compensa, e para entender o movimento das marcas que chegam ao país, leia sobre BAIC, DFM, Icaur e IM no Brasil.
Perguntas frequentes
Quando a MG IM6 chega ao Brasil?
A MG prevê o lançamento para outubro de 2026, sem data exata. A pré-reserva já está aberta, sem pagamento antecipado.
Quanto custa a MG IM6?
O preço ainda não foi divulgado. A expectativa da imprensa é que valores e versões sejam anunciados após o lançamento.
Qual a potência do IM6?
A versão de entrada tem 295 cv. A topo de linha é citada com até 752 cv por parte da imprensa e 767 cv por outra parte, em tração integral com dois motores.
Qual a autonomia do IM6?
Segundo os dados reportados, 348 km (entrada) e até 400 km (topo) no ciclo do Inmetro. No ciclo WLTP, 450 km e 505 km.
O IM6 é uma MG ou uma IM?
É um modelo da IM Motors, marca premium do grupo SAIC, vendido pela rede MG no Brasil.
Os carros chineses são baratos por causa da mão de obra?
Não necessariamente. Pesquisa da Gi Group divulgada pela AutoData em 2024 indicou salários do setor automotivo na China mais altos do que no Brasil. O preço menor vem principalmente de escala, cadeia de fornecedores e tecnologia de bateria.
Fontes: O Tempo (02/10/2026), Piranot (16/10/2026), Motor1, Quatro Rodas e AutoData (14/03/2024).
Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.
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