Festival Interlagos 2026: 14 das 32 marcas presentes eram chinesas, e nomes tradicionais ficaram de fora

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O Festival Interlagos 2026 reuniu 32 montadoras entre os dias 27 e 30 de agosto, e 14 delas — quase metade — eram marcas chinesas, segundo balanço divulgado pela organização do evento. O encontro teve recorde de público, com 215 mil visitantes ao longo dos quatro dias, 15.200 test-drives realizados na pista e 36 lançamentos e estreias de modelos.


Quem ficou de fora

Chama atenção a lista de ausências entre marcas tradicionais: Audi, Chevrolet, Citroën, Nissan e Mercedes-Benz não tiveram estande no evento. A Chery, marca-mãe do grupo, também não participou sob seu próprio nome — mas esteve presente por meio de suas submarcas no Brasil, Omoda & Jaecoo, iCaur e Jetour. Já a Volkswagen manteve presença, mas em formato diferente: um estande em parceria com o Mercado Livre, em vez do modelo tradicional.

Um evento que não para de crescer

O Festival Interlagos se define como o maior festival de test-drive em autódromo do mundo, e a edição de 2026 reforça essa proposta: os quase 15,2 mil test-drives realizados equivalem a uma média de mais de 3,8 mil por dia, um volume que exige logística considerável de carros disponíveis, instrutores e voltas cronometradas na pista. Os 36 lançamentos e estreias de modelos — entre lançamentos definitivos, pré-lançamentos e primeiras aparições ao público brasileiro — também sinalizam que o evento se consolidou como uma vitrine estratégica de calendário para as montadoras apresentarem novidades diretamente ao consumidor final, e não apenas à imprensa especializada.

Um retrato do momento do mercado

A proporção de 14 em 32 marcas chinesas (44% do total de expositoras) é um reflexo direto do que já vínhamos acompanhando por aqui: o ritmo acelerado de chegada de novas marcas chinesas ao Brasil, como mostramos na cobertura sobre a estreia da BAIC, DFM, iCAUR e IM — todas apresentadas justamente durante o Festival Interlagos. A ausência de nomes tradicionais tão conhecidos do público brasileiro, por outro lado, levanta a pergunta sobre estratégia comercial: será economia de custos num evento caro, redirecionamento de verba para outros canais, ou sinal de menor prioridade para o mercado brasileiro num momento de disputa mais acirrada?

Por que um evento de test-drive importa tanto para marcas novas

Para uma marca chinesa recém-chegada ao Brasil, sem décadas de reputação construída junto ao consumidor local, participar de um evento como o Festival Interlagos cumpre uma função comercial específica: permitir que o público dirija o carro antes de decidir pela compra, num ambiente controlado e sem o compromisso de uma visita a concessionária. Isso é particularmente relevante para marcas que ainda estão construindo confiança de marca — o test-drive na pista funciona como uma forma de reduzir a barreira psicológica de experimentar um carro de uma montadora pouco conhecida, algo que pesa menos para marcas tradicionais já consolidadas no imaginário do comprador brasileiro. Não é à toa que boa parte dos lançamentos e estreias do evento veio justamente de marcas chinesas relativamente novas por aqui, como BAIC, DFM, iCAUR e IM Motors.

O contraponto da Volkswagen com o Mercado Livre

O formato adotado pela Volkswagen no evento também merece atenção: em vez do estande tradicional, a marca optou por uma parceria com o Mercado Livre. É um movimento que reflete uma tendência mais ampla do varejo automotivo, de aproximar a compra de veículos dos canais digitais e marketplaces já consolidados no hábito de consumo do brasileiro, em vez de depender apenas do modelo consagrado de concessionária física. Vale acompanhar se outras marcas tradicionais seguem por esse caminho híbrido em futuras edições do festival, ou se o formato de estande convencional segue sendo a norma entre as montadoras mais estabelecidas no país.

O que ainda não dá para concluir

Vale a ressalva de sempre: a ausência de uma marca num evento não significa necessariamente perda de relevância comercial — pode refletir só uma decisão pontual de orçamento ou calendário daquele ano específico. O dado concreto e verificável é a proporção de marcas chinesas presentes, não uma conclusão definitiva sobre quem “ganhou” ou “perdeu” o mercado brasileiro. Da mesma forma, recorde de público e de test-drives não se traduz automaticamente em vendas fechadas — é um indicador de interesse e exposição de marca, não um substituto para os números de emplacamento que acompanhamos mês a mês por aqui.

O teste real vem nos próximos meses: será nos boletins de emplacamento de setembro e outubro que poderemos verificar se o interesse despertado no Festival Interlagos pelas marcas chinesas recém-chegadas — e pelos lançamentos elétricos e híbridos plug-in em geral — de fato se converteu em vendas concretas, ou se ficou restrito ao entusiasmo de quatro dias de test-drive na pista de Interlagos.

Marcas tradicionais também usaram a vitrine

Apesar do protagonismo chinês no número de expositoras, marcas tradicionais presentes também reservaram parte dos 36 lançamentos e estreias do evento para apresentar novidades ao público — um sinal de que o Festival Interlagos segue sendo palco disputado por todos os lados do mercado, não só pelas recém-chegadas. Isso reforça que a corrida pela eletrificação e pela conquista do consumidor brasileiro não se resume à disputa entre chinesas e ocidentais — envolve também joint ventures, submarcas e formatos de parceria comercial cada vez mais variados, como o próprio caso da Volkswagen com o Mercado Livre ilustra.

Uma disputa que também é por espaço físico e atenção do público

Com 32 montadoras disputando a atenção de 215 mil visitantes ao longo de quatro dias, a logística por trás de um evento desse porte também virou parte da notícia: gerenciar filas de test-drive, cronogramas de pista compartilhados entre dezenas de marcas e a exposição simultânea de dezenas de lançamentos exige um nível de coordenação que só um evento já consolidado no calendário do setor automotivo brasileiro consegue sustentar. Esse amadurecimento operacional é, em si, parte do motivo pelo qual cada vez mais marcas — tradicionais e novatas — escolhem o Festival Interlagos como palco preferencial para estrear modelos no país, em vez de eventos fechados só para imprensa.

Fonte: balanço oficial do Festival Interlagos 2026 divulgado pela organização do evento.


Uma resposta para “Festival Interlagos 2026: 14 das 32 marcas presentes eram chinesas, e nomes tradicionais ficaram de fora”
  1. […] japonesas. O próprio Festival Interlagos 2026, onde o modelo foi apresentado ao público, teve 14 das 32 marcas presentes vindas da China — um retrato de como esse avanço vem acontecendo em múltiplas frentes ao mesmo tempo, do carro […]

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