Caminhões elétricos no Brasil: JAC vs BYD vs VW e-Delivery vs Foton, preços, opções e quem vende mais em 2026

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Os caminhões elétricos à venda no Brasil vão de cerca de R$ 370 mil, no Foton iBlue EV-6T, a mais de R$ 830 mil, no Volkswagen e-Delivery 11, segundo a Tabela Fipe. O mercado ainda é pequeno: foram 176 caminhões elétricos emplacados de janeiro a julho de 2026, de acordo com a Fenabrave, e a chinesa JAC sozinha respondeu por mais da metade. A seguir, mostramos quais são as opções, quanto custam, quem vende mais e para que tipo de operação o caminhão elétrico já faz sentido.

Antes, um esclarecimento importante: quando falamos de veículo elétrico, quase sempre pensamos no carro elétrico ou no carro híbrido da garagem de casa. Mas a eletrificação do transporte de carga segue uma lógica bem diferente. Para uma transportadora, o que decide a compra não é emoção nem status, e sim o custo por quilômetro, a autonomia na rota e onde o caminhão vai recarregar.

Quantos caminhões elétricos são vendidos no Brasil

Na nossa apuração com os dados da Fenabrave, o segmento ainda é um nicho e, em 2026, encolheu. De janeiro a julho foram 176 caminhões elétricos emplacados, queda de 18,9% sobre os 217 do mesmo período de 2025. Só em julho, foram 15 unidades. Para dar a dimensão: o caminhão a diesel mais vendido do país no ano, o VW Delivery 11.180, sozinho somou 3.707 emplacamentos de janeiro a julho.

Entre as marcas, o ranking de caminhões elétricos no acumulado até julho ficou assim: JAC (101), Foton (27), Sany (24), Volkswagen (11), Nanjing (5), Tesla (4, todas Cybertruck, que entra na conta como caminhão), BYD (2) e Mercedes-Benz (2). Ou seja, as fabricantes chinesas dominam com folga um mercado em que as marcas tradicionais de caminhão ainda testam o terreno.

As opções: caminhão elétrico leve, médio e pesado

JAC iEV1200T: o líder de vendas

A JAC é a marca mais antiga no segmento e a que tem a linha mais completa voltada à distribuição urbana. O iEV1200T, caminhão leve de 7,5 toneladas de PBT, foi o primeiro caminhão elétrico vendido no país e segue como referência: na Tabela Fipe de julho de 2026, a versão zero-quilômetro aparece por R$ 509.900 e a iEV1200T Plus R por R$ 539.900. No lançamento, a JAC declarou bateria de 97 kWh e cerca de 200 km de autonomia no ciclo NEDC, que é mais otimista que o uso real com carga.

Volkswagen e-Delivery: o único fabricado no Brasil

O e-Delivery é produzido em Resende (RJ) e tem a vantagem da rede de concessionárias e da assistência da VW Caminhões e Ônibus, que é a mais capilarizada entre as opções da lista. É vendido em versões de 11 e 14 toneladas. A contrapartida é o preço: o e-Delivery 11 zero-quilômetro aparece por R$ 830.475 na Fipe de julho de 2026, o mais caro entre os elétricos leves e médios. Em vendas, foram 11 unidades até julho.

Foton iBlue: o mais barato da lista

A Foton, que tem rede própria de caminhões a diesel no Brasil, ficou em segundo lugar entre os elétricos até julho. O iBlue EV-6T, caminhão leve urbano, vale R$ 373.399 na Fipe de setembro de 2026 (ano-modelo 2026), o menor valor de referência entre os modelos que mapeamos.

BYD: pouca venda hoje, linha em renovação

A BYD, que lidera o mercado de carro elétrico de passeio no Brasil, ainda é coadjuvante nos caminhões, com só 2 emplacamentos de janeiro a julho. Mas é a marca com mais movimento no segmento em 2026, e vale olhar com atenção. Hoje, o site oficial da BYD Brasil lista dois caminhões elétricos:

  • BYD eT5 7.200: caminhão leve de 7,2 toneladas de PBT, para distribuição urbana. Segundo a marca, leva cerca de 3,9 toneladas de carga e roda por volta de 185 km com uma carga, com bateria de lítio-ferro-fosfato (LFP).
  • BYD eT18 21.250: semipesado de 21,25 toneladas de PBT, usado em coleta de lixo e distribuição. A BYD informou cerca de 13,3 toneladas de carga e 165 km de autonomia.

A BYD não divulga preço público dos caminhões; a venda é feita por proposta, normalmente para frotistas. Segundo a própria empresa, cerca de 45 caminhões elétricos da marca já rodam no Brasil, em coleta de resíduos, distribuição urbana e entregas de última milha.

Caminhão elétrico BYD eT5 7.200, de 7,2 toneladas de PBT, vendido no Brasil
BYD eT5 7.200: o caminhão elétrico leve da BYD no Brasil. Foto: Divulgação/BYD.

O que vem pela frente é mais interessante do que o que está à venda. Na nossa apuração, a BYD tem três frentes abertas:

  • T75: segundo a Agência Transporte Moderno, vai substituir o eT5, com pedidos já abertos e entregas previstas para o segundo semestre de 2026.
  • T35: o caminhãozinho elétrico apresentado pela BYD na Expointer 2026, em Esteio (RS), no fim de agosto, como o primeiro caminhão da marca no Brasil com a bateria Blade, a mesma tecnologia dos carros. Pelos dados do registro do modelo no país, publicados pelo Grupo Sentinela, são 62,36 kWh de bateria, 201 cv, 1.900 kg de carga e até 367 km de autonomia. É um rival direto do Kia Bongo, mas a BYD ainda não anunciou preço nem data de início de vendas.
  • Pesados: cerca de dez cavalos mecânicos elétricos 6×2 estão em teste dentro da fábrica de Camaçari (BA). Na China, a marca já mostrou o ETT 44, cavalo mecânico de mais de 1.000 cv e até 600 km de autonomia declarada, que ainda não tem confirmação para o Brasil.

Nossa visão é que o T35 pode ser o modelo mais importante da lista para o pequeno empresário: se chegar com preço competitivo, é o primeiro caminhão elétrico leve com bateria e autonomia de padrão automotivo, numa faixa hoje dominada pelos utilitários a diesel.

Tabela: caminhões elétricos no Brasil, preço e vendas

Modelo Categoria Valor de referência (Fipe) Vendas da marca (jan-jul/2026)
Foton iBlue EV-6T Leve urbano R$ 373.399 (2026, set/26) Foton: 27
JAC iEV1200T Leve, 7,5 t de PBT R$ 509.900 (0 km, jul/26) JAC: 101
JAC iEV1200T Plus R Leve, versão refrigerada R$ 539.900 (0 km, jul/26) incluído acima
VW e-Delivery 11 Médio, 11 t, feito no Brasil R$ 830.475 (0 km, jul/26) VW: 11
BYD eT5 7.200 Leve, 7,2 t de PBT Sem preço público (venda por proposta) BYD: 2
BYD eT18 21.250 Semipesado, 21,25 t de PBT Sem preço público (venda por proposta) incluído acima
BYD T35 Leve, bateria Blade, 1,9 t de carga Ainda sem preço nem data de vendas Apresentado em ago/2026
Fever Nextem (marca catarinense) VUC até 3,5 t (conta como comercial leve) A partir de R$ 199.990 (preço de lançamento) Fora do ranking de caminhões
XCMG E7-95T Pesado, cavalo mecânico, 74 t de PBT Sem preço público (encomenda de ~R$ 500 mi por 251 unidades) Entregas futuras

Valores de referência: Tabela Fipe (consultada via agregador Tabela Fipe Brasil em 05/10/2026), que representa média de mercado e não o preço de tabela da concessionária. Vendas: Fenabrave, acumulado de janeiro a julho de 2026. BYD: dados técnicos da marca; T35 pelos dados de registro divulgados pelo Grupo Sentinela. Fever Nextem: preço de lançamento divulgado pela Fever.

Por que o caminhão elétrico vende tão pouco, se o carro elétrico dispara?

No carro de passeio, os eletrificados já passam de 20% das vendas mensais. No caminhão, não chegam a 1%. Na nossa visão, a diferença está em três pontos: o caminhão elétrico custa bem mais que o equivalente a diesel, a recarga de uma frota exige obra elétrica na base da transportadora, e o comprador é uma empresa que calcula o retorno até a última casa decimal. O carro elétrico convence pelo custo por km e pela experiência; o caminhão precisa fechar a conta inteira.

E as marcas brasileiras? O caminhão elétrico pequeno começa por aqui

No segmento de caminhão pequeno, há movimento nacional, mas ele aparece pouco no ranking por um detalhe técnico: os veículos urbanos de carga (VUCs) de até 3,5 toneladas de PBT entram nas estatísticas da Fenabrave como comerciais leves, não como caminhões. E essa faixa de peso importa muito, porque pode ser dirigida com a carteira de habilitação categoria B, a mesma do carro de passeio, sem precisar de motorista com CNH de caminhão.

  • Fever (Santa Catarina): é a marca brasileira mais ativa no segmento. A empresa catarinense vende VUCs elétricos de até 3,5 toneladas, produzidos na China com a marca Fever, e lançou o Nextem a partir de R$ 199.990, com custo de energia que a própria empresa estima em cerca de R$ 16 a cada 100 km. Segundo a Fever, com base em dados da Fenabrave, a marca fechou 2025 com 16% dos VUCs elétricos e ficou em terceiro lugar entre os comerciais leves elétricos do país. Novos modelos, os FN 1000+ e FN 1700, estão a caminho.
  • FNM (Rio de Janeiro): a lendária Fábrica Nacional de Motores renasceu como marca de caminhões elétricos e fechou parceria com a gaúcha Agrale, de Caxias do Sul, para fabricar os veículos. Em 2021, a Ambev anunciou a encomenda de mil caminhões elétricos FNM. Na nossa apuração, porém, a marca não aparece entre os emplacamentos de caminhões elétricos de 2026, e não encontramos atualização pública recente sobre o ritmo de entregas.
  • Volkswagen e-Delivery (Resende, RJ): a marca é alemã, mas o e-Delivery foi desenvolvido e é fabricado no Brasil, pela VW Caminhões e Ônibus. Segue sendo o único caminhão elétrico médio de produção nacional em escala.

Para o dono de pequena transportadora, padaria, distribuidora ou empresa de entregas, essa faixa dos VUCs é, na nossa visão, onde o elétrico já compete com mais força: rota curta, volta para a base todo dia, recarga na tomada da garagem durante a noite e motorista com CNH comum.

O salto para o pesado: 251 caminhões elétricos para o agronegócio

O fato mais relevante do ano no setor não aparece ainda nos emplacamentos. Em setembro, a XCMG Brasil e a Transportadora Navarini, de Sorriso (MT), anunciaram a venda de 251 cavalos mecânicos 100% elétricos XCMG E7-95T, numa operação de cerca de R$ 500 milhões, apresentada pelas empresas como a maior compra de caminhões elétricos pesados da América Latina. O modelo tem PBT de 74 toneladas e capacidade máxima de tração de 120 toneladas.

Dividir os R$ 500 milhões pelos 251 caminhões dá cerca de R$ 1,99 milhão por unidade, mas é só uma conta de dimensão: as empresas não disseram que esse valor é o preço de cada caminhão. Também não foram divulgados capacidade da bateria, autonomia e potência de recarga, dados essenciais para avaliar se o elétrico aguenta a rotina de longas distâncias do transporte de grãos. Para nós, este é o teste que vale acompanhar: se der certo no agro, com carga pesada e estrada longa, o argumento de que o caminhão elétrico só serve para a cidade perde força.

Recarga: o ponto que decide a compra

Para a distribuição urbana, a lógica é parecida com a do carro elétrico em casa: o caminhão roda o dia, volta para a base e recarrega à noite. É por isso que o caminhão elétrico leve já faz sentido para entregas de última milha, coleta de resíduos e rotas fixas. A diferença é a escala: em vez de um wallbox de 7 kW como os que comparamos no nosso guia de carregadores residenciais, uma frota precisa de carregadores de alta potência e, muitas vezes, de transformador próprio. No pesado, como no caso da XCMG, a infraestrutura vira um projeto de engenharia à parte.

Vale a pena trocar o diesel pelo elétrico?

Na nossa análise, depende da rota. Para operação urbana com quilometragem diária previsível e volta à base, o caminhão elétrico já compete no custo total ao longo dos anos, porque gasta muito menos com energia e manutenção (não tem troca de óleo, filtros de combustível, embreagem nem Arla 32). Para rodovia e longa distância, ainda falta prova em grande escala no Brasil, e a encomenda da Navarini deve ser o primeiro grande laboratório. Em qualquer caso, a recomendação é a mesma: pedir ao fabricante dados de consumo em kWh/km com carga real e simular o custo por quilômetro antes de assinar.

O movimento lembra o que já vimos no carro de passeio: as chinesas chegaram primeiro, com preço mais agressivo, e as marcas tradicionais correm atrás. Para acompanhar como isso se deu entre os automóveis, veja o nosso ranking dos carros mais vendidos de setembro.

E você: acha que o caminhão elétrico vai pegar no Brasil primeiro na cidade ou na estrada? Conte nos comentários.

Perguntas frequentes

Quanto custa um caminhão elétrico no Brasil?

Pela Tabela Fipe, os caminhões elétricos leves e médios vão de cerca de R$ 373 mil (Foton iBlue EV-6T, ano-modelo 2026) a R$ 830 mil (VW e-Delivery 11 zero-quilômetro). Os pesados, como o XCMG E7-95T, não têm preço público.

Qual é o caminhão elétrico mais vendido do Brasil?

A JAC lidera o segmento: foram 101 caminhões elétricos emplacados de janeiro a julho de 2026, mais da metade das 176 unidades do período, segundo a Fenabrave. O principal modelo da marca é o iEV1200T.

Existe caminhão elétrico fabricado no Brasil?

Sim. O Volkswagen e-Delivery é produzido em Resende (RJ), em versões de 11 e 14 toneladas, e é o único caminhão elétrico médio de produção nacional em escala. Entre as marcas brasileiras, a catarinense Fever vende VUCs elétricos de até 3,5 toneladas, produzidos na China, e a FNM tem parceria com a Agrale para fabricar caminhões elétricos.

A BYD vende caminhão elétrico no Brasil?

Sim. O site oficial da BYD Brasil lista o eT5 7.200 (leve) e o eT18 21.250 (semipesado), vendidos por proposta, sem preço público. O T75 deve substituir o eT5, com entregas previstas para o segundo semestre de 2026, e o T35, com bateria Blade, foi apresentado na Expointer 2026, ainda sem preço nem data de vendas.

Caminhão elétrico serve para viagem longa?

Hoje, a maior parte dos caminhões elétricos no Brasil é usada em rotas urbanas com volta à base. A encomenda de 251 cavalos mecânicos XCMG E7-95T pela Transportadora Navarini, para transporte de grãos, será o primeiro grande teste em rodovia, mas a autonomia e a estratégia de recarga ainda não foram divulgadas.

Por que as vendas de caminhões elétricos caíram em 2026?

Foram 176 unidades de janeiro a julho, contra 217 no mesmo período de 2025, queda de 18,9%. O preço bem acima do diesel e a necessidade de investir em recarga na base seguram a adoção, enquanto o mercado de caminhões a diesel foi impulsionado pelo crédito do programa Move Brasil.

Fontes: Fenabrave (emplacamentos de caminhões, via Fenatac e Agência Transporte Moderno); Tabela Fipe (via Tabela Fipe Brasil, referências de julho e setembro de 2026); BYD Brasil (site oficial e Expointer 2026); Agência Transporte Moderno, Frota&Cia, Grupo Sentinela e Mundo Logística (BYD); Fever e Canal VE (Fever); Agrale e InsideEVs (FNM); Mecânica Online (XCMG e Navarini); JAC Motors (dados de lançamento do iEV1200T). Análise: BR-Elétricos.

Sobre o autor

Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.

Todo conteúdo publicado passa por apuração e revisão do editor responsável. Conheça o autor e veja como produzimos nosso conteúdo.

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