ChargeOn cresce 3,5 vezes em 2026 e abre hub de recarga no Atacadão Tatuapé, em SP

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A rede de recarga ChargeOn inaugurou em setembro um hub com oito carregadores no estacionamento do Atacadão Tatuapé, na zona leste de São Paulo, e projeta crescer mais de 400% em receita em 2026. A empresa também afirma ter “crescido 3,5 vezes” no ano até setembro. Os números foram divulgados em 24 de setembro, em reportagem do Canal VE. Para o BR-Elétricos, o caso mostra o que o mercado de eletrificados precisa: carregador onde o motorista já passa tempo parado.

O que tem no novo hub da ChargeOn em São Paulo?

Item Informação divulgada
Local Estacionamento do Atacadão Tatuapé, São Paulo (SP)
Pontos de recarga 8 carregadores
Tipos Rápidos (corrente contínua, DC) e semirrápidos (corrente alternada, AC)
Inauguração Setembro de 2026
Clientes atendidos pela rede Mais de 60 mil

Fonte: ChargeOn, via Canal VE. A empresa não divulgou a potência de cada carregador nem o preço por kWh do hub.

A mistura de carregadores faz sentido para o varejo. O rápido serve a quem para meia hora numa compra rápida; o semirrápido atende quem fica mais tempo e aceita recarregar devagar, com custo de instalação menor para a operadora.

O que os números da ChargeOn dizem e o que não dizem

Os 400% se referem à projeção de crescimento do faturamento em 2026, não ao número de carregadores. A empresa também projeta dobrar a quantidade de estações no ano. Sobre o “crescimento de 3,5 vezes”, a própria ChargeOn não especificou em que métrica, e ela não abriu a base de comparação, por isso não dá para converter esses números em reais nem comparar com outras redes. São dados da empresa, sem auditoria independente.

Parte do avanço, segundo a ChargeOn, veio da troca do sistema que gerencia os carregadores, em 1º de setembro. A empresa diz que o tempo de resposta melhorou mais de 60% e que o custo operacional caiu mais de 30%. De acordo com o CEO, Luis Beires, dois dias depois da migração os níveis de recarga voltaram ao patamar anterior e, desde então, passaram a crescer mais de 10%.

O que vivi no Atacadão: recarga onde o carro passa tempo parado

Usei esse carregador no Atacadão quando estava com um BYD Dolphin Mini, num test drive mais longo para uma matéria que publicamos no YouTube. Ficou claro para mim a importância de ter infraestrutura nos pontos onde a pessoa passa mais tempo, como shoppings e supermercados. Para quem mora em apartamento sem vaga preparada, o carregador do supermercado pode ser a principal fonte de energia do carro; para quem tem carregador em casa, serve de apoio nos dias de uso maior.

O exemplo do shopping em Campinas, com energia solar

Sou da região de Campinas e vi uma estratégia que achei muito inteligente no Parque Dom Pedro Shopping: o estacionamento coberto com placas de energia solar e carregadores embaixo. A estrutura faz sombra para os carros, gera energia e alimenta os carregadores. Vi algo parecido na China. Segundo o Canal VE, a operação da Karg, rede de recarga do grupo Allos, tem 20 vagas de recarga, sendo 10 carregadores rápidos de 30 kW e 10 de corrente alternada de 7,4 kW, abastecidos pelo carport solar, que tem 930 módulos sobre 124 das cerca de 8 mil vagas do shopping. A geração estimada é de cerca de 60 mil kWh por mês, aproximadamente 6% do consumo do empreendimento. O espaço foi inaugurado em outubro de 2025.

O que mais me chamou a atenção foi a evolução: na semana da inauguração havia um ou dois carros carregando; na semana retrasada, estive lá de novo e havia seguramente mais de dez. É um retrato de como a demanda aparece quando a oferta existe.

Quanto falta crescer: os números da recarga no Brasil

Segundo levantamento da ABVE com a plataforma Tupi, o Brasil tinha 29.896 pontos de recarga públicos e semipúblicos em agosto de 2026, alta de 77% em um ano, dos quais 11.411 são de recarga rápida (corrente contínua). A frota de elétricos e híbridos plug-in é de 639.133 veículos, o que dá cerca de 21 veículos por ponto de recarga, e 42% dos pontos estão no Sudeste. O Brasil passou de 1 milhão de carros eletrificados vendidos desde 2012, e a rede de eletropostos cresce em ritmo forte, como mostramos na matéria sobre o salto da rede de recarga. O desafio, discutido na nossa análise sobre o que falta na infraestrutura, continua sendo distribuir melhor os pontos fora das capitais.

A infraestrutura precisa ser decisão das marcas e do poder público

Na nossa avaliação, a infraestrutura de recarga ainda não foi tratada como prioridade de política pública, seja qual for o governo. Por isso a decisão das marcas pesa tanto. Montadoras como BYD, Geely, Volvo e BMW vêm instalando carregadores, e há uma expansão forte de empreendedores com marcas menores colocando os seus. É o que costumo dizer: a indústria dos eletrificados chega e vai criando novas indústrias ao seu redor.

Quantos negócios já surgiram e vão surgir por causa da eletrificação? Meios de pagamento, gestão de carregadores, geração de energia, venda de placas solares, energia renovável. E, com menos poluição, um ar melhor. Fica a reflexão, como jornalista e como cidadão: o que está transformando esse mercado é a chegada dos eletrificados, e quanto mais importante é a infraestrutura para atender essa nova necessidade.

O que ainda falta saber sobre o hub da ChargeOn

  • Preço por kWh no hub do Tatuapé e se haverá tarifa diferente por horário.
  • Potência dos carregadores rápidos, que define quanto tempo leva uma recarga.
  • Próximas cidades: a empresa fala em expansão nacional, mas não divulgou lista nem cronograma.

Esses dados não tinham sido divulgados até a publicação desta matéria, que será atualizada se a empresa informar.

Perguntas frequentes

Onde fica o novo hub de recarga da ChargeOn?

No estacionamento do Atacadão Tatuapé, na zona leste de São Paulo. O hub tem oito carregadores, entre rápidos (DC) e semirrápidos (AC), e foi inaugurado em setembro de 2026.

Quanto a ChargeOn cresceu em 2026?

A empresa diz ter crescido 3,5 vezes até setembro, sem especificar a métrica, e projeta aumento de mais de 400% na receita em 2026. Os números são da própria ChargeOn e não incluem valores em reais.

Quanto custa recarregar no hub da ChargeOn?

A empresa não divulgou o preço por kWh do hub do Tatuapé. Antes de recarregar, confira a tarifa no aplicativo da rede.

Qual a diferença entre carregador rápido e semirrápido?

O rápido, de corrente contínua (DC), repõe boa parte da bateria em dezenas de minutos. O semirrápido, de corrente alternada (AC), é mais lento e combina com paradas longas.

Quantos pontos de recarga existem no Brasil?

Segundo a ABVE e a plataforma Tupi, eram 29.896 pontos públicos e semipúblicos em agosto de 2026, dos quais 11.411 de recarga rápida, com cerca de 21 veículos elétricos e híbridos plug-in por ponto.

Vale a pena ter carregador em shopping e supermercado?

Na nossa avaliação, sim: são lugares onde o motorista passa tempo parado, o que combina com recarga. Em shoppings com carport solar, como o Parque Dom Pedro, em Campinas, o carregador pode ser alimentado pela energia gerada no próprio estacionamento.

Fontes consultadas: Canal VE — ChargeOn projeta crescimento de 400% e hub em São Paulo; Canal VE — Karg instala 20 vagas de recarga em shopping no interior de SP; Autodata (24/09/2026), com dados da ABVE e da Tupi. Números da ChargeOn informados pela empresa, sem auditoria independente.

Sobre o autor

Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.

Todo conteúdo publicado passa por apuração e revisão do editor responsável. Conheça o autor e veja como produzimos nosso conteúdo.

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