GWM Haval H6 PHEV vs Caoa Chery Tiggo 8 PHEV: visitei as duas concessionárias e saí com uma resposta clara

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Visitei a concessionária da GWM e, na mesma semana, a da Caoa Chery para olhar de perto o Haval H6 PHEV e o Tiggo 8 PHEV. Essa é uma opinião, formada depois de ver os dois carros ao vivo, e abaixo estão os números que a sustentam e os pontos que podem pesar a favor do outro lado.

Minha avaliação: o Tiggo 8 PHEV entrega mais pelo mesmo investimento, mas o Haval não é menos carro por isso

O Haval H6 PHEV vende mais — isso qualquer um que acompanha o mercado sabe. O que eu não sei, e vou ser honesto sobre isso, é exatamente qual o volume de venda só da versão plug-in: os dados abertos pela Fenabrave costumam somar o H6 HEV (híbrido convencional) com o PHEV em algumas leituras, e mais abaixo explico como tratei esse número. Mas depois de ver os dois SUVs pessoalmente, nas duas concessionárias, a minha opinião é que o Tiggo 8 é o carro mais versátil: ele tem a opção de rodar com sete lugares, o que o Haval H6 não oferece, e o nível de acabamento interno do Tiggo 8 me pareceu superior ao do rival. Para mim, é um carro que entrega mais pelo mesmo preço — e olhando a ficha técnica atual, o Tiggo 8 PHEV nem precisa do “mesmo preço”: ele custa menos.

Isso não significa que o Haval H6 PHEV seja um carro ruim. Pelo contrário: é um carro espetacular, muito bem construído, com uma suspensão excelente — e isso importa mais do que parece. Suspensão costumava ser o ponto de fragilidade dos carros chineses de gerações passadas, não necessariamente dos modelos mais novos. Eu posso falar com propriedade sobre isso: tive um JAC T6 durante nove anos, rodei 240 mil km com ele, e nunca tive problema de motor ou de câmbio — o único ponto de desgaste real foi a suspensão, que sofria com o terreno brasileiro. Atualmente, tenho um Chery Tiggo 7, já com 277 mil km rodados desde 2020, e o cenário se repete: motor e câmbio sem problema nenhum, e o único ponto de atenção, de novo, é a suspensão — mas nem posso reclamar muito dela. O motor e o câmbio do Tiggo 7 são, em essência, os mesmos da família Tiggo, o que me dá confiança na base mecânica por trás do Tiggo 8 PHEV.

Atualmente, a Caoa Chery já é bem mais conhecida no Brasil do que era há alguns anos, mas ainda não tem a mesma força de marca que a GWM construiu por aqui — vale lembrar que boa parte do Haval H6 já é montada no Brasil, na fábrica de Iracemápolis (SP), o que pesa a favor da marca em disponibilidade de peças e rede de assistência. São dois bons produtos, com motorização já validada no uso real — a diferença, para mim, está mesmo na proposta: como produto completo, me agrada mais o Tiggo 8, ainda que o volume de vendas do segmento PHEV do Haval também seja bastante significativo.

Ficha técnica comparada: motor, bateria, autonomia e espaço

Abaixo, os números oficiais dos dois SUVs híbridos plug-in, lado a lado. Uma ressalva importante antes da tabela: os fabricantes não usam o mesmo protocolo de medição para todos os itens, e mesmo fontes do próprio setor divergem ligeiramente em alguns números — tratamos isso caso a caso nas notas da tabela.

Item GWM Haval H6 PHEV19 Caoa Chery Tiggo 8 PHEV
Preço R$ 250.000 R$ 229.990
Motor a combustão (isolado) 1.5 turbo flex, 177 cv 1.5 turbo, 135 cv
Motor elétrico (isolado) Não detalhado isoladamente pela GWM 204 cv
Potência combinada* 326 cv / 535 Nm 279 cv / 375 Nm (37,5 kgfm)
Bateria 19 kWh 19,3 kWh
Autonomia elétrica 77 km (Inmetro) 54–63 km
Combustível Flex (gasolina/etanol) Gasolina
Distância entre-eixos 2.738 mm 2.710 mm
Capacidade do porta-malas 560 L (1.445 L com bancos rebatidos) 650 L**
Número de lugares 5 7 (opção de 3ª fileira)
Estepe Não divulgado pela marca Não divulgado pela marca
Produção Nacional (Iracemápolis, SP) Importado

*No sistema DHT do Tiggo 8, os motores não somam potência de forma simplesmente aditiva — o gerenciamento eletrônico decide quanto chega às rodas em cada momento, por isso a potência combinada é menor que a soma bruta dos dois motores isolados. **O porta-malas de 650 litros reflete a configuração mais comum da versão PHEV atual; um levantamento anterior do BR-Elétricos, feito em agosto de 2026 com dados da Fenabrave, registrava 889 litros para o Tiggo 8 Pro PHEV — a diferença provavelmente vem de bancos da 3ª fileira rebatidos ou de protocolos de medição distintos entre fontes, e optamos por manter os dois números registrados até confirmação direta da fabricante. Nenhuma das duas marcas confirma oficialmente a presença de estepe físico nas versões PHEV, o que normalmente indica kit de reparo de pneu no lugar do estepe — um padrão comum no segmento, como já mostramos no levantamento dos 10 híbridos mais vendidos do Brasil.

Caoa Chery Tiggo 8 PHEV, SUV híbrido plug-in de 7 lugares
Caoa Chery Tiggo 8 PHEV. Foto: Divulgação/CAOA Chery.

Preço, vendas e a posição de cada um no mercado

Na ficha de preço, a diferença é clara: o Tiggo 8 PHEV custa R$ 229.990 na configuração atual — já depois de um corte de preço que a Caoa Chery aplicou em relação aos R$ 279.990 iniciais — contra R$ 250.000 do Haval H6 PHEV19 (a versão PHEV35, com tração integral Hi4 e bateria maior, sai por R$ 290.000). Ou seja, o Tiggo 8 chega sete lugares, acabamento superior na minha avaliação e um porta-malas maior por um preço menor que o do Haval mais básico.

Em volume de vendas, a nossa apuração com base em dados da Fenabrave de agosto de 2026 mostra o Caoa Chery Tiggo 8 Pro PHEV com 728 unidades emplacadas no mês, enquanto o GWM Haval H6 (somando HEV e PHEV, já que a Fenabrave não abre essa divisão por versão) aparece com 6.433 unidades só na leitura do HEV — um volume muito maior, mas que mistura duas tecnologias diferentes. Sendo honesto: não encontrei, até a publicação deste texto, uma fonte que separe exclusivamente as vendas do H6 PHEV (19 e 35) do total do H6 HEV, então não vou fingir que tenho esse número fechado. O que dá para afirmar com segurança é que o Haval H6, como família, vende muito mais que o Tiggo 8 Pro PHEV isoladamente — o que é esperado, já que o H6 tem quase três anos de mercado e rede consolidada, enquanto a reputação da Caoa Chery no segmento híbrido plug-in ainda está em construção.

EscolheCar: qual decisão é mais sua

Minha opinião pesa a experiência de quem rodou quase 520 mil km somados entre um JAC T6 e um Chery Tiggo 7 — mas ela não substitui uma simulação com a sua rotina, o seu orçamento e a sua prioridade entre espaço, autonomia elétrica e rede de assistência. Para isso existe o EscolheCar, a ferramenta paga do portal com mais de 60 modelos comparados e relatório personalizado, que cruza preço, autonomia e rotina de uso por um investimento baixíssimo perto do valor de um carro.

Perguntas frequentes

O Haval H6 PHEV ou o Tiggo 8 PHEV têm mais autonomia elétrica?

O Haval H6 PHEV19 declara 77 km pelo ciclo Inmetro, acima dos 54 a 63 km do Tiggo 8 PHEV. A versão PHEV35 do Haval, com bateria de 35 kWh, vai além: 126 km Inmetro (a GWM cita até 180 km pelo ciclo WLTP, mais otimista).

Qual dos dois é mais barato?

O Tiggo 8 PHEV, na configuração atual a R$ 229.990, custa cerca de R$ 20 mil menos que o Haval H6 PHEV19 (R$ 250.000) e R$ 60 mil menos que o PHEV35 (R$ 290.000).

O Tiggo 8 PHEV tem mesmo sete lugares?

Sim, o Tiggo 8 PHEV oferece a opção de terceira fileira de bancos, chegando a sete lugares — recurso que o Haval H6 PHEV, com cinco lugares fixos, não tem.

Os dois rodam com etanol?

Não os dois. O Haval H6 PHEV é flex (gasolina ou etanol) em toda a linha, fabricada em Iracemápolis (SP). O Tiggo 8 PHEV, por ser importado, roda apenas com gasolina.

Qual dos dois vende mais no Brasil?

Olhando a família completa, o Haval H6 vende muito mais — 6.433 unidades em agosto de 2026, segundo a Fenabrave —, mas esse número soma as versões HEV e PHEV. Isoladamente, o Tiggo 8 Pro PHEV registrou 728 unidades no mesmo mês. Não há, até a publicação deste texto, uma fonte que separe as vendas apenas da versão PHEV do Haval H6.

Algum dos dois tem estepe?

Nenhuma das duas marcas divulga oficialmente a presença de estepe físico nas versões híbridas plug-in — o que normalmente indica kit de reparo de pneu no porta-malas, prática comum no segmento de SUVs eletrificados vendidos hoje no Brasil.

E você, já viu os dois de perto? Conte sua opinião nos comentários — se concorda que o Tiggo 8 entrega mais pelo preço, ou se o Haval H6 ainda leva vantagem na sua conta.

Fontes consultadas: ficha técnica oficial GWM e CAOA Chery; Fenabrave (emplacamentos de agosto de 2026); Canalve, AutoMaisTV e VerificarAuto (ficha técnica e preços atualizados do Tiggo 8 PHEV); além da apuração própria do BR-Elétricos em GWM Haval H6 PHEV: vale a troca pelo híbrido plug-in?, Caoa Changan CS55 PHEV vs GWM Haval H6 PHEV e Carro híbrido: tipos, tecnologias e os 10 mais vendidos do Brasil em agosto de 2026.

Sobre o autor

Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.

Todo conteúdo publicado passa por apuração e revisão do editor responsável. Conheça o autor e veja como produzimos nosso conteúdo.

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