O novo Dacia Spring 2027 muda por completo e inaugura uma segunda geração feita na Europa. O compacto elétrico passa a usar uma plataforma moderna do Grupo Renault, ganha carroceria 18 centímetros mais larga, motor de 80 cv e bateria LFP de 27,5 kWh. A autonomia chega a 250 quilômetros no ciclo WLTP. Embora mantenha o nome Spring, o projeto deixa de ser derivado do Renault Kwid e se aproxima tecnicamente do novo Twingo elétrico.
A transformação merece atenção no Brasil porque o Spring original nasceu sobre a mesma base do Kwid e deu origem ao Renault Kwid E-Tech vendido por aqui. A nova geração rompe essa relação direta: a Dacia afirma que tudo foi redesenhado, da plataforma às proporções. Portanto, o novo Spring não é simplesmente um “Kwid europeu” atualizado. Ele passa a ser um carro elétrico urbano independente, pensado para reduzir custos sem abrir mão de segurança, conectividade e espaço interno.
Um Spring totalmente novo, não apenas reestilizado
A segunda geração foi construída sobre a arquitetura RG-EV small, desenvolvida pelo Grupo Renault para carros elétricos compactos. A mesma família técnica sustenta a nova estratégia de elétricos acessíveis do grupo. A largura aumentou 18 centímetros, mudança significativa para um carro do segmento A. Além de criar aparência mais estável e robusta, o ganho permite ampliar o espaço para passageiros e melhorar a posição de dirigir.
A Dacia manteve a receita de simplicidade que tornou o primeiro Spring popular. Mais de 210 mil unidades foram vendidas em mais de 40 países desde 2021. Dados conectados da marca indicam que os proprietários percorrem, em média, 34 quilômetros por dia a 34 km/h, e 75% das recargas acontecem em casa. Essas informações orientaram uma bateria dimensionada para a rotina urbana, sem o peso e o custo de um pacote gigantesco.

Design mais largo e com identidade própria
O desenho abandona as proporções estreitas do modelo anterior. A dianteira adota uma faixa preta que conecta os faróis e incorpora a assinatura luminosa inspirada no logotipo da Dacia. A traseira repete a solução para aumentar visualmente a largura. Linhas geométricas, para-choques verticais e caixas de roda marcadas dão ao compacto uma presença próxima à de um pequeno crossover.
Quatro cores foram anunciadas inicialmente: Agave, cinza Schist, preto Diamond e branco Glacier. Uma faixa preta separa visualmente o teto da carroceria, enquanto padrões geométricos aparecem também na cabine. A proposta não é esconder a simplicidade, mas transformá-la em linguagem de design. Superfícies fáceis de produzir e reparar ajudam a controlar o preço e os custos de propriedade.
Motor de 80 cv atende à rotina urbana
O conjunto elétrico entrega 60 kW, equivalentes a 80 cv, e torque de 175 Nm. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 12,1 segundos e a velocidade máxima é de 130 km/h. Não são números esportivos, mas representam avanço em relação ao caráter estritamente urbano do Spring anterior. A resposta imediata do motor elétrico deve favorecer saídas de semáforo e retomadas em baixa velocidade.
A Dacia afirma que o carro consegue acompanhar o fluxo tanto na cidade quanto em vias rápidas. Rodas de 15 ou 16 polegadas e raio de giro de apenas 4,95 metros reforçam a vocação urbana. Freio de estacionamento elétrico e sensores traseiros são de série, enquanto câmera de ré aparece na versão Journey.
| Item | Novo Dacia Spring 2027 |
|---|---|
| Motor | Elétrico, 60 kW (80 cv) |
| Torque | 175 Nm |
| Bateria útil | 27,5 kWh LFP |
| Autonomia | Até 250 km WLTP |
| 0 a 100 km/h | 12,1 segundos |
| Velocidade máxima | 130 km/h |
| Recarga DC | Até 50 kW; 15% a 80% em 28 min |
Bateria LFP e até 250 km de autonomia
A bateria tem 27,5 kWh de capacidade útil e usa química LFP, sigla para lítio-ferro-fosfato. Essa tecnologia costuma oferecer boa durabilidade, estabilidade térmica e custo menor que pacotes NMC. A autonomia homologada chega a 250 quilômetros no ciclo combinado WLTP. Para o uso médio informado pela própria Dacia, uma carga semanal seria suficiente para muitos proprietários.
É importante interpretar a autonomia dentro da proposta. O Spring é um carro pequeno, destinado principalmente a deslocamentos urbanos e periurbanos. Em estrada, velocidades mais altas, ar-condicionado, temperatura externa e carga transportada podem reduzir o alcance. Em compensação, o pacote compacto diminui peso e tempo de recarga e evita que o comprador pague por capacidade que raramente utilizaria.
Como funciona a recarga
De série, o carregador embarcado em corrente alternada trabalha a 6,6 kW. Em uma tomada doméstica, a recarga de 15% a 80% leva aproximadamente nove horas. Em uma tomada reforçada, o tempo cai para 5h40; numa wallbox de 7 kW, são 2h55. A solução permite recuperar a autonomia durante a noite sem exigir infraestrutura de alta potência.
O pacote de recarga rápida adiciona carregador AC de 11 kW e conexão DC de 50 kW. Em uma wallbox trifásica de 11 kW ou carregador público de 22 kW, a passagem de 15% a 80% leva 1h55. Em corrente contínua, o mesmo intervalo pode ser completado em cerca de 28 minutos. Para um carro com bateria pequena, 50 kW é suficiente para paradas relativamente curtas.

Interior simples, mas mais conectado
A cabine segue linhas horizontais para ampliar a sensação de espaço. Todas as versões recebem quadro de instrumentos digital de 7 polegadas. Na configuração Expression, o sistema Media Control usa o celular do motorista como extensão multimídia, com suporte no painel, comandos no volante e informações de chamadas e áudio exibidas no quadro digital.
A versão Journey acrescenta central multimídia de 10,1 polegadas, espelhamento sem fio por Apple CarPlay e Android Auto e navegação conectada por oito anos, com mapas europeus atualizados e informações de trânsito. Também oferece serviços como programação de recarga, pré-climatização da cabine, localização do veículo e loja de aplicativos.
O banco do motorista tem ajustes longitudinal e de altura, o encosto é reclinável e o volante passa a oferecer regulagem de altura e profundidade. O cartão presencial é de série na Journey. O recurso My Safety permite ao condutor configurar de forma rápida alguns sistemas avançados de assistência ao iniciar o carro, evitando navegar por vários menus a cada uso.

Produção sai da China e volta para a Europa
Uma das maiores mudanças está na origem. A primeira geração era produzida na China e exportada para o mercado europeu. O novo Spring será montado em Novo Mesto, na Eslovênia. A decisão aproxima a produção dos consumidores europeus, reduz exposição a tarifas sobre veículos chineses e integra o carro às fábricas do Grupo Renault na região.
O desenvolvimento também foi acelerado. O Spring é o primeiro Dacia criado sob novos programas do Grupo Renault que pretendem reduzir o ciclo de projeto para menos de dois anos e diminuir custos de engenharia. A marca busca responder mais rapidamente à concorrência, especialmente ao avanço de carro chinês elétrico barato na Europa.
Ele ainda é irmão do Renault Kwid?
Não da mesma forma que antes. A geração anterior do Spring compartilhava a base CMF-A com o Renault Kwid e com o Kwid E-Tech brasileiro. Agora, a plataforma RG-EV small aproxima o modelo do novo Renault Twingo elétrico. A carroceria, a largura, o interior, o motor e a bateria foram redesenhados. O nome permanece, mas a relação técnica direta com o Kwid foi encerrada.
Isso não significa que o Renault Kwid E-Tech vendido no Brasil será automaticamente substituído por este carro. As decisões de produto da Renault no país seguem cronograma próprio, com custos, produção, importação e homologação específicos. Até o fechamento desta matéria, nem Dacia nem Renault confirmaram a chegada do novo Spring ao mercado brasileiro.
Rivais e possível impacto no Brasil
Na Europa, o novo Spring mira elétricos urbanos acessíveis e deve enfrentar modelos como Leapmotor T03, BYD Dolphin Surf e outros compactos. No Brasil, caso uma futura versão Renault fosse considerada, os concorrentes naturais seriam BYD Dolphin Mini, Renault Kwid E-Tech, Geely EX2 e novos modelos chineses posicionados perto de R$ 100 mil.
O ponto mais interessante para o consumidor brasileiro é a combinação de 80 cv, 250 km WLTP e recarga DC em 28 minutos. Em comparação com o Kwid E-Tech atual, a nova arquitetura sugere ganhos relevantes de espaço, desempenho e tecnologia. Entretanto, a autonomia WLTP não pode ser comparada diretamente ao número do Inmetro, cujo método e fator de ajuste resultam em valores diferentes.
Preço ainda será decisivo
A Dacia ainda não apresentou nesta divulgação uma tabela completa para todos os mercados. A marca promete manter o Spring como escolha elétrica inteligente do segmento A. Para cumprir essa meta, precisará equilibrar o custo da produção europeia com o ganho de escala e o desenvolvimento acelerado. A química LFP, a bateria compacta e o conteúdo simplificado ajudam nessa equação.
O novo Dacia Spring 2027 mostra como os elétricos urbanos estão amadurecendo. Ele deixa de ser apenas uma adaptação de projeto de baixo custo e passa a usar arquitetura elétrica dedicada, sem abandonar a simplicidade. A autonomia não busca recordes, mas atende com folga à rotina média observada entre os proprietários. Se mantiver preço competitivo, poderá continuar sendo uma das portas de entrada para a mobilidade elétrica europeia.
Para o Brasil, a pergunta correta não é se o novo Spring “é o próximo Kwid”, mas se o Grupo Renault aproveitará essa plataforma para renovar sua oferta elétrica de entrada. Por enquanto, qualquer previsão de lançamento, preço ou versão nacional seria especulação. O que já está confirmado é que o Spring mudou de geração, ganhou identidade própria e se tornou um produto europeu mais sofisticado, pronto para enfrentar a nova concorrência elétrica.
Enquanto o novo Spring não tem confirmação para o Brasil, quem já quer comprar um carro elétrico ou híbrido hoje pode comparar as opções reais à venda no país no nosso guia dos melhores carros elétricos e híbridos para comprar no Brasil em 2026.
Perguntas frequentes
O novo Dacia Spring ainda é baseado no Renault Kwid?
Não da mesma forma que antes. A geração anterior compartilhava a base CMF-A com o Kwid e o Kwid E-Tech brasileiro; a nova geração usa a plataforma RG-EV small, que aproxima o Spring do novo Renault Twingo elétrico.
Qual a autonomia do novo Dacia Spring 2027?
A autonomia homologada chega a 250 km no ciclo WLTP, com bateria LFP de 27,5 kWh — dimensionada para a rotina média de 34 km por dia informada pela própria Dacia, já que 75% das recargas acontecem em casa.
O novo Dacia Spring chega ao Brasil?
Até o fechamento desta matéria, nem Dacia nem Renault confirmaram a chegada do novo Spring ao Brasil. As decisões de produto da Renault no país seguem cronograma próprio, com custos, produção, importação e homologação específicos.
Fontes: Dacia Media, Renault Group e dados técnicos oficiais da fabricante. Especificações e autonomia correspondem ao padrão europeu WLTP e podem variar conforme mercado, versão e condições de uso.

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