GAC no Brasil: o que vimos no Festival Interlagos, o sucesso do Aion UT e os desafios contra BYD e Geely

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A GAC chegou ao Festival Interlagos 2026, realizado de 27 a 30 de agosto em São Paulo, vivendo o melhor momento desde que estreou no Brasil. O BR-Elétricos esteve no estande da marca e gravou de perto o Aion UT, o Hyptec HT, o GS3 e o estreante GS9. Em agosto, a montadora chinesa emplacou 1.851 carros, segundo a Fenabrave, e o hatch elétrico Aion UT respondeu por pouco mais da metade desse volume, com 978 unidades. O crescimento é real, mas a nossa apuração mostra que ele ainda depende muito de um único carro, de carros importados e de uma fábrica que só começa a produzir em 2027.

Os vídeos que gravamos no Festival Interlagos estão no canal do BR-Elétricos no YouTube.

O que a GAC mostrou no Festival Interlagos 2026

Foi no mesmo festival, em junho de 2025, que a GAC se apresentou oficialmente ao público brasileiro. Pouco mais de um ano depois, a marca voltou a Interlagos com um estande de mais de 700 m² e uma linha bem mais variada, com carros elétricos, híbridos e até a combustão. Estes foram os destaques que gravamos:

  • GAC Aion UT: o hatch 100% elétrico que puxa as vendas da marca. Parte de R$ 139.990 na versão Premium e R$ 159.990 na Elite.
  • Hyptec HT: o SUV elétrico de luxo, de 4,93 m de comprimento, com portas traseiras que abrem para cima, no estilo asa de gaivota, na versão Ultra.
  • GAC GS9: a grande estreia do estande. É um SUV grande com sistema de extensor de autonomia (REEV), 500 cv, tração integral e até 114 km rodando só na bateria, segundo o Inmetro. O preço ainda não foi divulgado.
  • GAC GS3: o primeiro modelo a combustão da marca no país, com motor 1.5 turbo. Custa R$ 139.990 na versão Premium e R$ 159.990 na Elite.

Completavam o estande o SUV elétrico Aion V e o híbrido GS4, além do superesportivo elétrico Hyptec SSR, que fez demonstrações de arrancada na pista.

O sucesso da GAC no Brasil em números

O salto da marca começou em junho, quando o Aion UT chegou às lojas. Na tabela abaixo, reunimos os emplacamentos dos últimos três meses fechados, com base nos dados oficiais da Fenabrave:

Mês (2026) GAC: emplacamentos (Fenabrave) Aion UT Posição do Aion UT entre os elétricos
Junho 1.490 659 5º
Julho 1.947 1.064 4º
Agosto 1.851 978 4º

Fontes: Fenabrave (emplacamentos da marca, automóveis); CNN Brasil, O Tempo e Canaltech/JATO Dynamics (Aion UT, já que a Fenabrave não detalha por modelo). Não encontramos, até 04/10/2026, os números de setembro da GAC detalhados por marca e por modelo.

Em julho, a GAC alcançou o 3º lugar entre as marcas de carros elétricos, com 5,51% desse mercado, e o 16º lugar no ranking geral de automóveis. Em agosto, manteve o 16º lugar geral, mas emplacou um pouco menos que em julho (1.851 contra 1.947) e caiu para 4º entre as marcas de elétricos, com 1.364 unidades e 5,04% do segmento. No acumulado do ano até agosto, são 8.739 emplacamentos. Vale um registro da nossa apuração: os números de venda divulgados pela própria GAC são maiores que os da Fenabrave. Em agosto, a marca falou em 2.647 carros vendidos; nesta matéria, usamos o dado oficial de emplacamento. A rede de concessionárias tem cerca de 60 lojas, e a meta é chegar a 100 até o fim de 2026.

Mas uma pergunta fica no ar quando se olha esses números de perto: o que acontece com a GAC se o Aion UT perder fôlego?

GAC vs BYD e Geely: o tamanho real da distância

O 3º lugar entre as montadoras de elétricos impressiona para uma marca com pouco mais de um ano de Brasil, mas a distância para as líderes ainda é enorme. Em julho, a GAC vendeu 1.416 carros elétricos somando todos os seus modelos. No mesmo mês, só o BYD Dolphin Mini teve 7.265 unidades, o BYD Dolphin 6.492 e o Geely EX2 5.898, segundo dados levantados pela CNN Brasil. Ou seja, um único modelo da BYD vendeu cerca de cinco vezes mais que todos os elétricos da GAC juntos.

Na faixa de preço do Aion UT, a briga também é dura: o hatch disputa o mesmo cliente do Dolphin Mini, do Geely EX2 e do MG4 Urban. Já comparamos esses carros em MG4 Urban vs Geely EX2 vs GAC Aion UT: qual elétrico de entrada vale mais a pena?.

Os desafios da GAC no Brasil

1. Dependência de um carro só

Em agosto, os 978 emplacamentos do Aion UT representaram pouco mais da metade dos 1.851 carros da GAC registrados pela Fenabrave, e mais de 70% dos elétricos da marca no mês. É uma força e uma fragilidade ao mesmo tempo: qualquer reação de preço da concorrência no segmento de entrada atinge a GAC em cheio.

2. Imposto de importação no teto

Todos os carros da GAC vendidos atualmente no Brasil vêm da China. Desde julho de 2026, o imposto de importação de carros elétricos e híbridos chegou a 35%, a alíquota máxima prevista no cronograma do governo federal. Isso aperta a margem justamente no momento em que as chinesas disputam preço com financiamento sem juros e descontos cada vez maiores.

3. Fábrica só em 2027

A resposta da GAC ao imposto é produzir aqui. Em março de 2026, a marca confirmou a montagem de carros na fábrica da HPE Automotores, em Catalão (GO), a mesma que produz os modelos da Mitsubishi no país, com capacidade inicial de 50 mil unidades por ano a partir de 2027. A HPE fabrica e cuida da logística; a GAC fica com a venda. Na nossa apuração, a lista de modelos que vão sair de Catalão ainda varia conforme a fonte: em março, a Autodata citou GS3, Aion Y, Aion V, Aion ES e Hyptec HT; no fim de setembro, o site Mix Vale informou que o Aion UT deve abrir a linha, primeiro em regime SKD (carro chega semidesmontado) e depois em CKD (montagem peça a peça). Até a fábrica rodar, a marca segue exposta ao câmbio e ao imposto.

4. Rede e confiança de marca nova

Com cerca de 60 concessionárias, a GAC ainda está longe da capilaridade das concorrentes mais antigas, e isso pesa para quem pensa em revisão, peças e valor de revenda. Também houve tropeço na largada do Aion UT: a marca anunciou mais de 2.000 reservas na pré-venda, mas o modelo emplacou 658 unidades no primeiro mês, como mostramos em GAC Aion UT: a conta que não fechou entre o preço da China, do Uruguai e do Brasil.

Nossa análise

Na nossa visão, a GAC fez em um ano o que muita marca leva três: acertou o produto de entrada, abriu rede rápido e garantiu produção local. O estande em Interlagos mostrou uma empresa que quer ir além do hatch barato, com o GS9 de 500 cv e o Hyptec HT mirando um público de maior poder de compra. O teste de verdade vem em 2027: se a fábrica de Catalão começar no prazo e os preços caírem com a produção local, a GAC tem condição de se firmar entre as grandes chinesas. Se atrasar, a marca vai continuar pagando 35% de imposto enquanto disputa preço com quem já fabrica no Brasil.

Perguntas frequentes

Quantos carros a GAC emplacou no Brasil em agosto de 2026?

Segundo a Fenabrave, a GAC emplacou 1.851 automóveis em agosto de 2026, ficando em 16º lugar entre as marcas. Desse total, 978 foram do Aion UT.

Quanto custa o GAC Aion UT?

O Aion UT parte de R$ 139.990 na versão Premium e chega a R$ 159.990 na versão Elite, segundo os preços divulgados pela marca.

A GAC vai fabricar carros no Brasil?

Sim. A GAC confirmou a produção na fábrica da HPE Automotores em Catalão (GO), com capacidade inicial de 50 mil carros por ano a partir de 2027.

O que é o GAC GS9 mostrado no Festival Interlagos?

É um SUV grande com extensor de autonomia (REEV), 500 cv e tração integral. Ele roda até 114 km só com a bateria, segundo o Inmetro. O preço ainda não foi divulgado.

O GAC GS3 é elétrico?

Não. O GS3 é o primeiro modelo a combustão da GAC no Brasil, com motor 1.5 turbo a gasolina, e custa a partir de R$ 139.990.

Fontes consultadas: GAC Brasil — vendas de julho, CNN Brasil, Motor Mais — vendas de agosto, Fenabrave — emplacamentos de julho, Fenabrave — emplacamentos de agosto, Canaltech — elétricos mais vendidos de agosto, O Tempo, Mecânica Online — GS9 em Interlagos, Autodata — produção em Catalão, Mix Vale, AutoPapo — GS3 e CartaCapital — imposto de importação.

Sobre o autor

Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.

Todo conteúdo publicado passa por apuração e revisão do editor responsável. Conheça o autor e veja como produzimos nosso conteúdo.

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