A Leapmotor lançou no Brasil o B10 Ultra-Híbrido, versão com extensor de autonomia (REEV) do seu SUV médio, por R$ 179.990 em versão única. Pelo preço, ele cai direto na briga com o BYD Song Pro, um dos carros híbridos plug-in mais vendidos do país: no configurador do site da BYD, consultado nesta quinta-feira (1º), o Song Pro aparece por R$ 196.990 e R$ 199.990 nas duas versões. A diferença vai de R$ 17 mil a R$ 20 mil a favor do B10. Mas os dois funcionam de jeitos bem diferentes, e o preço é só parte da conta.
O B10 Ultra-Híbrido foi apresentado no Festival Interlagos 2026 e teve preço e ficha divulgados pela Stellantis, sócia da Leapmotor fora da China, em comunicado de 28 de setembro.
Leapmotor B10 REEV vs Song Pro: como cada um funciona
No B10 Ultra-Híbrido, quem move as rodas é sempre o motor elétrico traseiro, de 218 cv e 240 Nm. O motor a gasolina 1.5 16V não tem ligação com as rodas: ele funciona só como gerador, recarregando a bateria de 18,8 kWh (do tipo LFP) ou alimentando o motor elétrico. Na prática, a sensação ao dirigir é sempre a de um carro elétrico, com resposta imediata ao acelerador. A Leapmotor declara autonomia total de até 900 km no ciclo europeu WLTP, somando bateria e tanque de 50 litros.
No Song Pro DM-i Flex, o sistema da BYD também prioriza o motor elétrico, mas o motor a combustão pode tracionar as rodas diretamente em velocidade de estrada, quando isso gasta menos. A grande diferença prática para o brasileiro é outra: o Song Pro aceita gasolina e etanol, enquanto o gerador do B10 usa só gasolina.
Autonomia elétrica: números próximos, ciclos diferentes
A BYD informa até 72 km rodando só na bateria no ciclo brasileiro PBEV, do Inmetro, para a versão GS do Song Pro. A Leapmotor não traz a autonomia só na bateria no comunicado de lançamento; o site AutoPapo registrou 68 km no ciclo do Inmetro para o B10 REEV. Se os dois números se confirmarem, a diferença é pequena: para o trajeto diário de quem mora na cidade e carrega em casa, os dois dão conta de rodar a semana no modo elétrico.
Na recarga, a Leapmotor diz que a bateria do B10 vai de 30% a 80% em até 18 minutos.
| Item | Leapmotor B10 Ultra-Híbrido | BYD Song Pro DM-i Flex |
|---|---|---|
| Preço | R$ 179.990 (versão única) | R$ 196.990 e R$ 199.990 |
| Quem move as rodas | Sempre o motor elétrico (218 cv) | Motor elétrico; combustão pode ajudar na estrada |
| Combustível | Gasolina (tanque de 50 litros) | Flex: gasolina e etanol |
| Bateria | 18,8 kWh, LFP | Blade (LFP) |
| Autonomia só na bateria | 68 km (Inmetro, segundo o AutoPapo) | Até 72 km (PBEV, versão GS) |
| Porta-malas | 350 litros (1.419 com banco rebatido) | 530 litros (1.482 com banco rebatido) |
| Garantia da parte elétrica | 8 anos (bateria, motor e alta tensão); 6 anos no carro todo | Bateria: 8 anos ou 200 mil km |
Fontes: comunicado da Leapmotor/Stellantis de 28/09/2026; site oficial da BYD Brasil, consultado em 01/10/2026; AutoPapo (autonomia Inmetro do B10). Preços sujeitos a mudança e a promoções das concessionárias.
Onde o Song Pro leva vantagem
O porta-malas é a diferença mais visível: são 530 litros no Song Pro contra 350 litros no B10, 180 litros a mais. Para família que viaja com bagagem, isso pesa. O Song Pro também tem a vantagem do etanol, que em boa parte do país sai mais barato por quilômetro que a gasolina, e de uma rede de concessionárias e de carros rodando muito maior: só até 28 de setembro, foram 3.441 Song Pro emplacados no mês, 21º lugar entre todos os carros vendidos no país, segundo dados parciais da Fenabrave compilados pelo Car.Blog.br. Ele é fabricado em Camaçari (BA).
Onde o B10 leva vantagem
Além do preço menor, o B10 entrega a experiência de um carro elétrico o tempo todo, sem a troca entre motores que alguns motoristas percebem nos híbridos. A lista de equipamentos é longa para a faixa: sete airbags (incluindo um central entre os bancos da frente), condução semiautônoma nível 2, tela de 14,6 polegadas, bancos dianteiros com ajuste elétrico, memória e ventilação, e tampa do porta-malas elétrica. A garantia de 6 anos no carro inteiro também é um argumento para quem tem receio de marca nova. A Leapmotor diz que sua rede de concessionárias praticamente dobrou desde a chegada ao Brasil, e o pós-venda é feito dentro da estrutura da Stellantis.
Nossa análise: qual faz mais sentido
Na nossa visão, o B10 Ultra-Híbrido é a escolha para quem quer dirigir um carro elétrico no dia a dia, carrega em casa e usa o motor a gasolina só como seguro para viagens, pagando menos. O Song Pro continua mais racional para quem precisa de porta-malas grande, quer abastecer com etanol e prefere uma marca com mais carros na rua e mais oficinas. Antes de decidir, vale fazer test drive nos dois: a diferença de comportamento entre um REEV e um híbrido plug-in tradicional se sente ao volante, e é ali que muita gente define a compra.
Para comparar o custo de rodar com cada tipo de carro, veja quanto custa rodar 1.000 km com carro elétrico, híbrido plug-in e flex. Se a dúvida é entre híbrido e plug-in, explicamos em carro híbrido: por que ele pode ser a sua melhor escolha. E a versão 100% elétrica do SUV já foi tema de Leapmotor B10 tem DNA Stellantis e foco em dirigibilidade.
Perguntas frequentes
Quanto custa o Leapmotor B10 Ultra-Híbrido?
O B10 Ultra-Híbrido (REEV) foi lançado por R$ 179.990, em versão única, segundo a Leapmotor.
O que é um carro REEV?
É um carro elétrico com extensor de autonomia: as rodas são movidas sempre pelo motor elétrico, e o motor a combustão funciona só como gerador para recarregar a bateria. No B10, esse gerador é um motor 1.5 a gasolina.
O B10 REEV aceita etanol?
Não. O tanque de 50 litros do B10 Ultra-Híbrido é para gasolina. Já o BYD Song Pro DM-i Flex aceita gasolina e etanol.
Qual tem o maior porta-malas, B10 REEV ou Song Pro?
O Song Pro, com 530 litros, contra 350 litros do B10 Ultra-Híbrido.
Qual a garantia do Leapmotor B10 Ultra-Híbrido?
Seis anos de garantia completa e oito anos para bateria, motor elétrico e componentes de alta tensão, segundo a Leapmotor.
Fontes consultadas: Stellantis Media — lançamento do Leapmotor B10 Ultra-Híbrido, BYD Brasil — Song Pro DM-i Flex, AutoPapo e Car.Blog.br — vendas parciais de setembro.
Orlando Silva é administrador de empresas e jornalista, com MBA em Gestão de Negócios, MBA em Gestão de Pessoas e especialização em gestão financeira pela FGV. Foi diretor regional da Leroy Merlin, já esteve em mais de 30 países e fez mais de dez viagens à China desde 2016, com visitas a fábricas de montadoras. É fundador e editor responsável do BR-Elétricos.
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